Pastor

Edir Macedo, Valdemiro e R.R. Soares não assinam manifesto em defesa de Malafaia

Trio histórico do neopentecostalismo brasileiro preferiu não se envolver na polêmica com o STF

Por Caio Rangel • Publicado em 25/08/2025 às 10h13
R.R Soares, Edir Macedo e Valdemiro (Reprodução)

O silêncio de alguns dos maiores nomes do neopentecostalismo brasileiro marcou a semana em que o pastor Silas Malafaia se tornou alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, na quarta-feira (20). Enquanto o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo disparava mensagens pelo WhatsApp em busca de apoio e divulgava um abaixo-assinado com 26 assinaturas de pastores, figuras como Edir Macedo, R.R. Soares e Valdemiro Santiago permaneceram em total silêncio, deixando evidente a falta de unidade dentro do segmento evangélico.

Alvo da operação, Malafaia intensificou nos últimos dias o envio de vídeos de políticos em sua defesa e fez circular o manifesto de solidariedade contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar disso, as ausências de peso chamaram mais atenção do que as adesões, ampliando a percepção de rejeição e isolamento do pastor.

Desde os anos 80, o chamado “G-4 dos televangelistas” — formado por Macedo, Soares, Valdemiro e, em tempos recentes, Malafaia — protagoniza embates políticos e comerciais, disputando espaço nas telas de TV e definindo estratégias eleitorais. A distância dos líderes neste momento de crise reforça a impressão de que rivalidades históricas continuam influenciando o cenário atual.

Embora tenham apoiado Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, a ascensão de Malafaia como conselheiro central do ex-presidente gera desconforto no grupo. O relatório da Polícia Federal divulgado na última semana mostra o pastor em posição de destaque, com acesso direto às discussões mais sensíveis, como a crise do tarifaço. Em conversas reveladas, Malafaia chega a chamar Eduardo Bolsonaro de “babaca” em mensagens direcionadas ao próprio pai, reforçando seu papel de conselheiro de confiança na cúpula bolsonarista.

Analistas políticos avaliam que o distanciamento de Edir Macedo, R.R. Soares e Valdemiro Santiago não é apenas estratégico, mas também reflexo de uma disputa velada por protagonismo no campo evangélico. Ao mesmo tempo em que não querem associar suas imagens a um processo judicial que envolve acusações graves, esses líderes também evitam fortalecer Malafaia, cuja influência sobre Jair Bolsonaro é vista como uma ameaça à posição de liderança que cada um construiu ao longo de décadas. O silêncio, portanto, serve como um recado de que a solidariedade no meio religioso nem sempre se sobrepõe às rivalidades e interesses pessoais.



Logo Fuxico Gospel

DIGITE SUA BUSCA

Este site utiliza cookies essenciais para garantir o funcionamento adequado. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.