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Viúva do reverendo Moon é presa na Coreia do Sul por esquema de suborno

Igreja da Unificação enfrenta nova crise e admite “profunda preocupação” com a prisão da líder

Por Caio Rangel • Publicado em 25/09/2025 às 10h36
Hak Ja Han (Reprodução)

Um novo capítulo da crise política na Coreia do Sul envolve diretamente o meio religioso. Hak Ja Han, 82 anos, viúva do reverendo Moon Sun-myung e atual líder da Igreja da Unificação, foi presa nesta terça-feira (23) em Seul. Ela é acusada de participação em um esquema de suborno que teria como beneficiária a ex-primeira-dama Kim Keon Hee.

De acordo com as autoridades, o Tribunal do Distrito Central de Seul autorizou a prisão por considerar haver risco de destruição de provas. O pedido foi apresentado pelo Ministério Público após o interrogatório de Hak Ja Han, realizado na segunda-feira (22). Segundo os investigadores, em 2022 ela teria enviado presentes de luxo, incluindo uma bolsa de grife e um colar de diamantes, com o objetivo de influenciar a então primeira-dama e favorecer politicamente seu marido, o presidente recém-eleito Yoon Suk Yeol. Após a decisão judicial, Hak Ja Han foi levada para o Centro de Detenção de Seul.

Nota oficial da Igreja da Unificação

A própria Igreja confirmou a prisão e divulgou nota oficial pedindo desculpas aos fiéis e à sociedade sul-coreana:

“Aceitamos humildemente a decisão do tribunal. Vamos cooperar com a investigação e com os procedimentos judiciais para que a verdade venha à tona. Pedimos perdão por gerar preocupação e trabalharemos para restabelecer a confiança em nossa igreja”, declarou a instituição.

Envolvimento de políticos

Além de Hak Ja Han, outras figuras importantes estão sob investigação. A ex-primeira-dama Kim Keon Hee também foi detida, acusada de suborno e de manipulação do mercado de ações. O ex-presidente Yoon Suk Yeol encontra-se preso, acusado de tentar decretar lei marcial em dezembro do ano passado. Ele ainda responde a denúncias de ter oferecido 100 milhões de wons (cerca de 72 mil dólares) a um parlamentar em troca de apoio político.

Origem da Igreja e controvérsias

A Igreja da Unificação foi criada em 1954 por Moon Sun-myung, que se autoproclamava a segunda vinda de Cristo. O movimento cresceu para além das fronteiras da Coreia, criando uma rede internacional de influência que inclui empresas de mídia, turismo e indústria alimentícia.

Desde a morte de Moon, em 2012, sua viúva assumiu a liderança do grupo, mantendo presença ativa na política e enfrentando críticas constantes por práticas internas, forma de arrecadação e proximidade com líderes governamentais.

Próximos passos da investigação

As autoridades sul-coreanas afirmam que novas etapas do inquérito devem ocorrer nas próximas semanas, com expectativa de ouvir mais testemunhas e reunir provas adicionais. O caso, que mistura fé, poder e corrupção, promete gerar repercussões políticas e sociais em todo o país.



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