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O Brasil está pronto para romper a barreira entre o gospel e o secular?

O avanço do gospel em espaços seculares desafia tradições e redefine o papel da fé na música contemporânea brasileira

Por Caio Rangel • Publicado em 15/10/2025 às 09h25
Show, Imagem da internet (Reprodução)

Quando Joelma entoou “Maranata” diante de uma multidão no The Town, um dos maiores festivais de música do país, não foi apenas mais uma performance. Foi um ato simbólico. Pela primeira vez, uma artista de grande projeção popular levou uma canção abertamente cristã a um palco essencialmente secular, misturando adoração e espetáculo sem pedir licença. O momento levantou uma questão que o Brasil ainda evita encarar de frente: será que finalmente estamos rompendo a barreira entre o gospel e o popular?

Nos Estados Unidos, essa divisão há muito deixou de ser uma fronteira. Lá, artistas transitam naturalmente entre o profano e o divino. Ray Charles uniu o fervor do gospel ao R&B e ao jazz, criando um som que transformou a música moderna. Al Green, ícone da soul music, trocou os palcos cheios de sensualidade pelos púlpitos, tornando-se pastor e cantor gospel. Johnny Cash e Bob Dylan, cada um à sua maneira, também provaram que é possível manter a fé viva dentro do mainstream.

Aretha Franklin, Sam Cooke, Elvis Presley e até Prince fizeram o mesmo — mostraram que espiritualidade e cultura popular podem caminhar juntas sem que uma anule a outra. Lá, o gospel não é apenas um gênero; é uma linguagem cultural, presente nas rádios, na televisão, nos festivais e até nas playlists de quem nem se considera religioso.

No Brasil, essa fusão ainda engatinha. Por aqui, artistas que ousam expressar a fé em espaços seculares enfrentam resistência. Quando Joelma canta “Maranata” em um evento pop, há quem veja um testemunho autêntico — e há quem a acuse de misturar “altares”.

A cena brasileira vive um momento de transição. Cada vez mais, a música cristã se mistura à cultura popular, influenciando trilhas sonoras, festivais e produções audiovisuais. Mas ainda falta naturalidade — o mesmo tipo de liberdade artística que há décadas move o cenário americano.

Joelma talvez tenha aberto uma nova porta. Ao levar uma canção de fé a um palco secular, ela não apenas quebrou um protocolo estético — ela desafiou um paradigma cultural.



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