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Pastores maçons na história e na igreja evangélica atual

Debate sobre a presença de líderes evangélicos na ordem permanece como um dos temas mais buscados e controversos do meio cristão.

Por Izael Nascimento • Publicado em 23/12/2025 às 18h18 • Atualizado em 26/12/2025 às 09h28
Integrantes da maçonaria reunidos em sessão solene com trajes e insígnias em templo maçônico
Membros da maçonaria participam de sessão solene em templo maçônico. (Foto: GOB Maçonaria)

SÃO PAULO (SP) — A pergunta sobre quem são os pastores maçons no Brasil e quais denominações permitem essa dupla militância move milhões de cliques, alimentando um debate que mistura doutrina teológica, história e, frequentemente, desinformação em massa.

De acordo com dados de monitoramento de tendências, o público evangélico demonstra uma curiosidade constante não apenas sobre nomes específicos, mas sobre os bastidores das convenções que tentam barrar a entrada de seus líderes em lojas maçônicas.

O fenômeno ocorre porque, embora a maçonaria se defina como uma sociedade discreta e não uma religião, muitos conselhos pastorais enxergam seus ritos como incompatíveis com a exclusividade do Evangelho.

O panorama das igrejas brasileiras mostra que o assunto transcende a curiosidade de nicho para se tornar um critério de confiança para o fiel. Na prática, a busca por uma “lista de pastores maçons” reflete o desejo do membro da igreja de entender se a liderança que ele segue possui compromissos com outras ordens além da bíblica.

O peso das convenções e o veto oficial das instituições

A postura das grandes denominações é o ponto de partida para compreender por que o tema gera tantas rupturas nos bastidores. A Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), por exemplo, mantém resoluções históricas que proíbem terminantemente o vínculo de seus ministros com a maçonaria.

Essa diretriz não é apenas uma recomendação, mas um critério rigoroso que pode levar à exclusão do pastor de suas funções ministeriais.

Na visão de conselhos da Assembleia de Deus, a participação em ritos que exigem juramentos de segredo colide com a transparência exigida de um obreiro. O argumento central é que o pastor não pode possuir uma vida oculta em relação à sua congregação.

Conforme registros de reuniões convencionais ao longo dos anos, o desligamento de líderes por esse motivo costuma ocorrer de forma silenciosa, visando preservar a imagem da instituição enquanto se mantém o rigor doutrinário.

Por outro lado, igrejas como a Batista apresentam uma flexibilidade maior em certas convenções locais, embora a Convenção Batista Brasileira (CBB) também já tenha emitido pareceres históricos desaconselhando a prática.

O ambiente de autonomia de cada igreja local permite que, em alguns casos, pastores e membros frequentem lojas maçônicas sem sanções imediatas, o que gera o contraste visível entre as diferentes linhas do protestantismo nacional.

Símbolo da maçonaria com esquadro e compasso sobre fundo escuro representando a ordem maçônica
Símbolo tradicional da maçonaria, formado pelo esquadro e compasso, utilizado como representação da ordem maçônica. (Foto: Reprodução)

As listas de pastores maçons famosos

Um dos maiores desafios editoriais ao tratar este assunto é a proliferação de listas apócrifas que circulam em aplicativos de mensagem e redes sociais. Essas publicações frequentemente misturam nomes de pastores históricos dos séculos XIX e XX — época em que a maçonaria no Brasil era um braço intelectual de defensores da liberdade de culto — com nomes de pregadores contemporâneos que nunca confirmaram qualquer ligação com a ordem.

Na análise de especialistas em história das religiões, nomes de vulto no passado evangélico brasileiro de fato possuíam conexões com a maçonaria para garantir proteção política contra a hegemonia religiosa da época.

No entanto, usar esses nomes para validar a presença de pastores modernos em lojas maçônicas é um anacronismo comum cometido por quem produz esse tipo de conteúdo sem o devido rigor histórico.

Atualmente, nomes como Silas Malafaia e outros líderes de grande alcance midiático são frequentemente alvos dessas teorias. Em declarações públicas, Malafaia e outros pastores do mesmo escalão já negaram repetidamente qualquer envolvimento com a maçonaria, tratando as acusações como tentativas de minar sua autoridade junto ao público conservador.

Essa mesma dinâmica de especulação atinge outros nomes do cenário nacional, como o cantor e pastor Samuel Mariano, cujos gestos ou acessórios em fotos são escrutinados por internautas em busca de simbolismos. É importante ressaltar que, sem uma confissão pública ou prova documental, tais associações permanecem no campo das alegações, sem confirmação independente das fontes oficiais.

A incompatibilidade teológica 

A raiz da proibição na maioria das igrejas reside na interpretação de textos bíblicos que falam sobre o “jugo desigual” e a impossibilidade de conciliar ritos distintos. De acordo com o entendimento de sínodos presbiterianos e luteranos, a maçonaria utiliza uma linguagem universalista que coloca o “Grande Arquiteto do Universo” como um título genérico, o que confronta a crença cristã de que Jesus Cristo é o único caminho de salvação.

Nos bastidores das escolas teológicas, o debate foca no conteúdo dos juramentos de iniciação. Muitos teólogos afirmam que, ao se ajoelhar ou fazer promessas sob símbolos maçônicos, o pastor estaria dividindo sua lealdade espiritual. Essa posição é reforçada pela ideia de que o Evangelho deve ser pregado abertamente, sem as camadas de segredo que caracterizam as sociedades discretas.

Ainda assim, há um grupo de líderes que defende a maçonaria como uma sociedade civil focada na filantropia e no aperfeiçoamento moral, sem caráter religioso. Para esses pastores, a participação na ordem seria comparável a fazer parte de um clube de serviços. Contudo, essa visão permanece minoritária e raramente encontra espaço nos regimentos das igrejas pentecostais e neopentecostais.

A maçonaria como ponto de ruptura e influência histórica

A relação entre a igreja e a maçonaria também deve ser observada sob a ótica da sociologia. Durante o período do Império e início da República, ser maçom era um sinal de prestígio social e influência política. Muitos pastores da época viam na ordem um espaço para defender a separação entre Estado e Igreja, o que beneficiaria o crescimento do protestantismo em solo brasileiro.

Com o passar das décadas e o fortalecimento do movimento pentecostal, o perfil do crente brasileiro mudou, e a maçonaria passou a ser vista com maior desconfiança, muitas vezes associada a um misticismo de elite. Essa mudança de percepção social transformou o pastor maçom em uma figura indesejada no imaginário da maioria das congregações atuais.

O histórico de tensões religiosas no Brasil consolidou a ideia de que um líder religioso não deve estar subordinado a ordens que possuam tribunais e leis próprias. Essa herança explica por que qualquer indício de simbolismo maçônico em uma pregação gera reações imediatas. Para compreender a profundidade desse tema, vale revisitar a investigação histórica sobre pastores e maçonaria que detalha os nomes que dominaram as discussões nas últimas décadas.

A conexão entre o púlpito e a esfera pública

A influência de líderes religiosos no cenário político brasileiro é outro fator que mantém o tema vivo. Muitos críticos sugerem que a maçonaria serviria como um trânsito facilitado em esferas de poder, onde pastores e políticos de diferentes vertentes se encontrariam. Essa interseção entre fé e poder civil é um dos pilares que sustenta a vigilância constante dos fiéis sobre seus líderes.

Diante do aumento da fiscalização interna das denominações, muitos pastores que mantinham filiações discretas têm sido forçados a fazer escolhas definitivas. Relatos de saídas voluntárias de convenções ou abandono da ordem para preservação do ministério são registrados periodicamente. O portal O Fuxico Gospel acompanha esses desdobramentos, analisando como as instituições reforçam seus estatutos para garantir o alinhamento total entre a vida pública e a doutrina bíblica.

É fundamental que o leitor busque sempre a confirmação oficial ou a confissão pública do líder antes de validar listas de internet. A atribuição indevida de um vínculo maçônico pode gerar processos jurídicos e danos irreparáveis à imagem ministerial. O debate segue em aberto, com novas frentes de discussão surgindo a cada assembleia convencional, mantendo a maçonaria como um dos temas mais intrigantes do cenário gospel.

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Dúvidas Frequentes sobre Pastores e Maçonaria

É pecado um pastor ser maçom?
Para a maioria das denominações evangélicas, a maçonaria é considerada incompatível com o ministério cristão. O argumento teológico é que os ritos e juramentos da ordem conflitam com a exclusividade do Evangelho e a transparência exigida de um líder religioso.
Qual a posição da Assembleia de Deus sobre a maçonaria?
A CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil) possui resoluções oficiais que proíbem o vínculo de seus pastores com a maçonaria. O descumprimento dessa norma costuma resultar no desligamento imediato do ministro de suas funções oficiais.
Existem pastores famosos que são maçons?
Embora circulem diversas listas na internet citando nomes de grandes líderes, a maioria dos pastores modernos de alto alcance nega qualquer envolvimento. Historicamente, alguns pioneiros do protestantismo no Brasil tiveram ligações com a ordem, mas no cenário atual, raros são os líderes que admitem publicamente tal vínculo.
A Igreja Batista permite pastores maçons?
Diferente da Assembleia de Deus, as Igrejas Batistas possuem maior autonomia local. Embora a Convenção Batista Brasileira (CBB) já tenha emitido pareceres contrários, a decisão final sobre a permanência de um membro ou pastor maçom muitas vezes recai sobre a própria congregação local.
O que a Bíblia diz sobre a maçonaria?
Os críticos utilizam textos como 2 Coríntios 6:14 (“Não vos ponhais em jugo desigual”) e passagens que condenam juramentos de segredo para embasar a proibição. O argumento bíblico central é que o cristão deve andar na luz e não deve ter compromissos espirituais com ordens que ocultam seus ritos.
Por que a maçonaria é considerada uma sociedade secreta?
A maçonaria se define como uma “sociedade discreta”. Para as igrejas, o problema reside nos juramentos de sigilo sobre os rituais de iniciação, o que é visto como contraditório ao caráter público e transparente do ministério pastoral.
O que significa o termo G.A.D.U. para os cristãos?
G.A.D.U. significa Grande Arquiteto do Universo. Cristãos contrários à maçonaria afirmam que esse título é universalista e permite que pessoas de qualquer religião o interpretem como quiserem, o que anularia a exclusividade de Jesus Cristo como Deus único.
Por que existem tantas listas de pastores maçons na internet?
Essas listas misturam fatos históricos (pastores antigos que realmente eram maçons) com especulações modernas baseadas em gestos, símbolos ou acessórios. Muitas vezes são usadas para gerar cliques ou atacar a imagem de líderes influentes sem provas concretas.
Um pastor pode ser expulso da igreja por ser maçom?
Sim. Em denominações com regimentos rígidos, como a Assembleia de Deus e a Igreja Presbiteriana, a confirmação de vínculo com a maçonaria pode levar ao processo de exclusão do rol de membros e à perda do título de pastor.
A maçonaria é uma religião?
A maçonaria afirma ser um sistema de moral e ética, não uma religião. Contudo, para a teologia evangélica, o fato de possuir templos, altares, ritos de iniciação e orações a uma divindade genérica a caracteriza como uma prática religiosa incompatível com o cristianismo.

Enquanto não houver uma abertura total dos registros das lojas ou das instituições religiosas, o tema permanecerá como um dos pilares de curiosidade e vigilância do povo cristão, exigindo discernimento e análise factual acima das teorias de conspiração.

Erros ou Direito de Resposta? contato@ofuxicogospel.com.br.



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