SÃO PAULO (SP) — Com quase quatro décadas de estrada, o Oficina G3 consolida sua posição como a maior referência do rock cristão no Brasil. O grupo, que nasceu no Ministério Ipiranga nos anos 80, sinaliza que o sucesso atual é fruto de uma época em que usar guitarras distorcidas em templos era visto como um ato de rebeldia.
A quebra de paradigmas
Juninho Afram e os fundadores da banda decidiram que a mensagem bíblica não precisava ser restrita aos hinos tradicionais. Eles afirmam que o peso e a atitude do rock eram as ferramentas necessárias para alcançar uma juventude urbana sedenta por autenticidade. “O G3 provou que ser cristão é ser revolucionário através da arte”, escrevem críticos e historiadores da música gospel.
Álbuns como “Indiferença” e “O Tempo” são marcos que elevaram o padrão técnico do segmento. O mix de hard rock e metal, aliado a letras diretas, sinaliza o amadurecimento do gênero no país. A formação clássica com Juninho Afram, Duca Tambasco, PG, Jean Carllos e Walter Lopes é apontada como a responsável por ditar o ritmo de uma nova era para a música cristã.
Legado para novas gerações
O Oficina G3 sinaliza que a relevância de sua obra reside na manutenção da essência. A banda abriu caminho para que centenas de outros grupos pudessem existir e transitar entre o sagrado e o secular. O grupo afirma que a arte de qualidade é a melhor plataforma para carregar a mensagem que sustenta a alma dos integrantes e do público desde o início da trajetória.
A longevidade do Oficina G3 em 2026 reflete a resiliência do rock cristão frente à hegemonia do worship e da música congregacional comercial. Enquanto o mercado fonográfico atual prioriza canções de consumo rápido e fácil execução em igrejas, o G3 mantém uma base fiel que valoriza o virtuosismo técnico e a lírica densa. Esse fenômeno demonstra que o rock gospel brasileiro, nascido sob a repressão religiosa dos anos 80, transformou-se em uma “instituição cultural” capaz de sobreviver a modismos.
Em um cenário de fragmentação digital, bandas como o G3 servem de âncora para uma audiência que busca no rock uma expressão de fé mais visceral e menos institucionalizada, garantindo que o gênero continue ocupando espaços importantes em festivais de música alternativa em todo o continente.
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