SÃO PAULO (SP) — A cantora Sarah Farias adotou um discurso firme contra o uso da inteligência artificial na criação de músicas gospel.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a artista alagoana afirmou que a tecnologia não é capaz de gerar adoração autêntica, por não possuir vivência espiritual nem experiências humanas essenciais à fé cristã.
A declaração surge como reação direta ao crescimento de composições automatizadas no mercado fonográfico evangélico.
Sarah revelou que tem recebido com frequência canções produzidas por sistemas de IA e fez um pedido público para que esse tipo de material não lhe seja mais enviado.
Para a cantora, o cerne da música gospel está na história de quem adora. Segundo ela, algoritmos não conhecem processos como arrependimento, renúncia ou quebrantamento — fundamentos recorrentes da espiritualidade pentecostal. Em contrapartida, destacou que composições nascidas de experiências reais continuam sendo bem-vindas.
O posicionamento ganhou eco em Fernanda Brum, que também relatou ter recebido dezenas de músicas recentes, muitas delas geradas por inteligência artificial.
A artista criticou o que classificou como produções sem profundidade espiritual e afirmou que o mercado, em alguns casos, prioriza o potencial comercial em detrimento da direção divina. Brum relembrou que já optou por não lançar projetos considerados proféticos para não comprometer sua convicção ministerial, ressaltando que uma máquina não compreende o peso de um chamado espiritual.
A discussão também recebeu apoio da pastora e cantora Midian Lima, que reforçou a ideia de que a adoração está diretamente ligada à vivência do adorador. Para ela, a identidade de uma canção nasce da dor, da superação e da experiência com Deus — elementos que a tecnologia apenas reproduz de forma superficial.
A manifestação conjunta dessas lideranças evidencia uma resistência crescente dentro do segmento gospel, que busca preservar o elemento humano e espiritual em meio ao avanço acelerado da automação na indústria musical cristã.