BELO HORIZONTE — O fechamento da unidade da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, anunciado oficialmente no último domingo (15/03/2026), marca o desfecho de uma crise que mistura fé, alta finança e investigações federais.
Conhecida como o refúgio da “elite gospel” mineira, a congregação não resistiu à pressão pública e jurídica após a prisão de uma de suas figuras centrais.
O Fator Zettel e a Operação Compliance Zero
O principal catalisador para o encerramento das atividades foi a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 04/03/2026.
Na ocasião, o pastor e empresário Fabiano Zettel se entregou às autoridades em São Paulo após ter a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do STF.
Zettel, que atuava como pastor voluntário na Lagoinha Belvedere, é casado com Natália Vorcaro, irmã do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Segundo o relatório da PF, Zettel funcionava como o “braço direito” e operador financeiro de Vorcaro. A investigação apura um esquema bilionário de venda de títulos de crédito falsos, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas informáticos.
Embora a liderança da Lagoinha Global, sob o comando de André Valadão, negue irregularidades, órgãos de controle como o COAF identificaram movimentações atípicas.
Relatórios recentes apontam repasses milionários do Banco Master para empresas e entidades ligadas à estrutura da igreja.
Dados da investigação sugerem que a unidade do Belvedere servia como um ponto de influência e networking entre o setor financeiro e lideranças religiosas.
A relação da família Vorcaro com a Lagoinha é antiga: Daniel Vorcaro já foi apresentador de programa na Rede Super, braço de comunicação da igreja, e sua irmã, Natália, era uma das principais lideranças da unidade agora fechada.
Histórico e Perfil da Unidade
Fundada para atender o público de alto poder aquisitivo da Região Centro-Sul de Belo Horizonte, a Lagoinha Belvedere se diferenciava pela estrutura de luxo e cultos voltados para empresários e celebridades locais.
A criação da unidade fazia parte da estratégia de expansão da “Lagoinha Global”, que buscava capilaridade em todos os estratos sociais.
Entretanto, as polêmicas recentes tornaram a manutenção da marca “Lagoinha” insustentável no local.
Além do escândalo do Master, a igreja enfrentava críticas internas sobre a ostentação e o envolvimento político-partidário de seus líderes, o que gerou um desgaste na imagem da congregação entre os fiéis mais tradicionais.
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