SÃO PAULO (SP) — A entrevista concedida pelo pastor Ed René Kivitz à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) gerou uma reação imediata no campo conservador.
O pastor Rodrigo Mocellin, fundador da Igreja Resgatar, utilizou suas redes sociais para classificar o diálogo como uma tentativa de inserir o “gayzismo” dentro das igrejas, elevando o tom da disputa teológica e ideológica que divide o cenário protestante brasileiro.
Crítica à trajetória de Kivitz
Mocellin não poupou críticas ao colega de ministério, afirmando que Kivitz teria finalmente “escancarado seu armário” teológico.
O líder reformado recordou que, em anos anteriores, as críticas feitas por conservadores à postura dúbia de Kivitz eram desqualificadas por outros membros do clero, que tratavam as preocupações conservadoras como um “pegar no pé” excessivo.
Para Mocellin, a entrevista com a deputada trans — referida pelo pastor com pronomes masculinos, em clara oposição à identidade de gênero de Erika Hilton — é a prova cabal de que seus avisos passados eram fundamentados. “Ele [Kivitz] disse que ela [Erika] é imprescindível para esse novo tempo”, rebateu Mocellin, condenando a aproximação de Kivitz com pautas da esquerda identitária.
Promessa de dossiê
O ponto mais polêmico do desabafo de Rodrigo Mocellin foi a promessa de expandir a ofensiva. O pastor afirmou categoricamente que possui uma lista de outros líderes religiosos que, embora ainda mantenham uma postura pública mais cautelosa, estariam seguindo o mesmo caminho de Kivitz.
“Eu vou citar lá no meu vídeo hoje: pastores que estão seguindo o mesmo caminho do Kivitz, pastores que influenciam boa parte dos pastores das maiores igrejas deste país”, declarou.
A ameaça de expor nomes de lideranças influentes promete acirrar ainda mais os ânimos nas redes sociais e dentro das denominações, antecipando uma possível onda de embates sobre os limites da teologia e da doutrina frente aos costumes contemporâneos.
Polarização no meio gospel
O episódio expõe, mais uma vez, o abismo entre o segmento conservador/reformado e a vertente progressista dentro do protestantismo brasileiro.
Enquanto um lado defende a preservação de dogmas tradicionais como linha inegociável, o outro busca o diálogo com pautas sociais modernas, gerando uma disputa por influência e legitimidade que parece longe de um consenso.
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