SÃO PAULO (SP) — O pastor Marcos Granconato, titular da Igreja Batista Redenção, localizada na capital paulista, gerou ampla repercussão no ecossistema eclesiástico ao abordar a cobrança do dízimo com base no livro profético de Malaquias.
Respondendo a um questionamento de um seguidor em suas redes sociais sobre a aplicação do capítulo 3, versículo 10 — tradicionalmente citado por lideranças evangélicas para fundamentar a entrega do dízimo —, o religioso classificou o uso do texto como hermeneuticamente inadequado para a era cristã contemporânea.
Impossibilidade Histórica e Transição de Alianças
Em sua explicação, Granconato apresentou dois argumentos centrais para fundamentar sua posição teológica. O primeiro ponto refere-se à inviabilidade histórica e geográfica de cumprir o mandamento bíblico no formato original.
“Não há como você obedecer a esse versículo, porque não há como levar os dízimos à casa do tesouro. A casa do tesouro era o templo em Jerusalém. O templo foi destruído no ano 70 [d.C.], então não há como obedecer a isso”, argumentou o pastor.
O segundo aspecto destacado pelo pregador fundamenta-se na teologia das alianças bíblicas. Granconato enfatizou que os preceitos mosaicos e as determinações do código cerimonial pertencem ao período do Antigo Testamento, que foi encerrado com a obra de Cristo na cruz.
“Nós não estamos mais debaixo da Antiga Aliança. Os dízimos pertencem à Antiga Aliança, e não à Nova. Então não há necessidade e não há possibilidade. Acabou quando o Senhor Jesus morreu na cruz do Calvário”, afirmou.
A Defesa da Oferta Voluntária e Livre
Apesar de desconstruir a obrigatoriedade do dízimo sob a ótica da lei de Malaquias, o líder da Igreja Batista Redenção ressaltou que a sustentação da igreja local permanece sendo um dever dos fiéis, embora exercida por um princípio distinto.
Granconato defendeu que o crente deve contribuir de forma alegre, proporcional e voluntária para o avanço do Reino de Deus. “É importante que você, como crente, contribua de modo voluntário e alegre para o avanço do Reino neste mundo. Isto sim. Mas isso é voluntário. Isso é livre”, concluiu.
A manifestação do pastor Marcos Granconato soma-se a um histórico debate entre correntes pentecostais e reformadas no Brasil a respeito de finanças eclesiásticas. O posicionamento ressalta a coexistência de leituras teológicas divergentes sobre o tema nos altares do país.
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