SÃO PAULO (SP) — O pastor, compositor e vocalista da banda Resgate, Zé Bruno, líder da igreja A Casa da Rocha, voltou a gerar intensa repercussão e debates teológicos nas redes virtuais após a divulgação de um trecho de sua ministração pastoral.
No vídeo em questão, o religioso aborda os desafios da interpretação das Escrituras Sagradas, utilizando a frase “nem tudo o que está na Bíblia é bíblico” para alertar sobre os riscos de leituras literalistas e descontextualizadas no ambiente eclesiástico.
Hermenêutica versus Literalismo Ingênuo
Para fundamentar sua tese, Zé Bruno citou preceitos prescritos no Antigo Testamento que deixaram de ser aplicados pela igreja cristã, como a obrigatoriedade da circuncisão, os sacrifícios de animais, o uso compulsório do véu e o isolamento de mulheres em período menstrual.
“Posso tirar um versículo da Bíblia e dizer o que eu quiser? […] Nós não cremos na Bíblia [no sentido cru e isolado]. Nós cremos na nossa hermenêutica. Nós cremos na interpretação que nós damos a esses textos”, argumentou o pastor, ressaltando que cada mandamento precisa ser analisado sob o prisma do momento histórico, da cultura da época e da revelação progressiva da cruz e da ressurreição de Cristo.
Crítica à Espiritualidade Performática
Além de abordar a hermenêutica textual, o líder evangélico direcionou suas observações para a vivência do dom de línguas e as expressões do Espírito Santo.
Zé Bruno sustentou que a maturidade cristã não deve ser mensurada por estados de transe ou manifestações incompreensíveis dentro dos templos, mas pela capacidade de manifestar uma vida renovada e coerente nas relações familiares e sociais.
“O fogo do Espírito não é porque você dança ou fala numa língua que ninguém entende […] Falamos as línguas dos anjos nas nossas celebrações, mas dentro da minha casa eu não consigo falar a língua da minha esposa e do meu esposo”, pontuou.
As reflexões de Zé Bruno somam-se a uma série de discussões sobre exegese e comportamento que movimentam o meio evangélico brasileiro, dividindo opiniões entre setores fiéis ao literalismo bíblico e correntes que priorizam a contextualização hermenêutica.