Pastor

Zé Bruno afirma que “nem tudo na Bíblia é bíblico” ao defende hermenêutica

Líder da Casa da Rocha e vocalista do Resgate defendeu que textos precisam ser lidos à luz da cultura da época

Por Caio Rangel • Publicado em 28/07/2026 às 10h09
Pastor Zé Bruno fala com expressão firme e aponta o dedo durante uma ministração em vídeo, abordando um tema bíblico.
O pastor Zé Bruno durante uma ministração em vídeo, enfatizando um ponto de sua mensagem. (Foto: Reprodução)

SÃO PAULO (SP) — O pastor, compositor e vocalista da banda Resgate, Zé Bruno, líder da igreja A Casa da Rocha, voltou a gerar intensa repercussão e debates teológicos nas redes virtuais após a divulgação de um trecho de sua ministração pastoral.

No vídeo em questão, o religioso aborda os desafios da interpretação das Escrituras Sagradas, utilizando a frase “nem tudo o que está na Bíblia é bíblico” para alertar sobre os riscos de leituras literalistas e descontextualizadas no ambiente eclesiástico.

Hermenêutica versus Literalismo Ingênuo

Para fundamentar sua tese, Zé Bruno citou preceitos prescritos no Antigo Testamento que deixaram de ser aplicados pela igreja cristã, como a obrigatoriedade da circuncisão, os sacrifícios de animais, o uso compulsório do véu e o isolamento de mulheres em período menstrual.

“Posso tirar um versículo da Bíblia e dizer o que eu quiser? […] Nós não cremos na Bíblia [no sentido cru e isolado]. Nós cremos na nossa hermenêutica. Nós cremos na interpretação que nós damos a esses textos”, argumentou o pastor, ressaltando que cada mandamento precisa ser analisado sob o prisma do momento histórico, da cultura da época e da revelação progressiva da cruz e da ressurreição de Cristo.

Crítica à Espiritualidade Performática

Além de abordar a hermenêutica textual, o líder evangélico direcionou suas observações para a vivência do dom de línguas e as expressões do Espírito Santo.

Zé Bruno sustentou que a maturidade cristã não deve ser mensurada por estados de transe ou manifestações incompreensíveis dentro dos templos, mas pela capacidade de manifestar uma vida renovada e coerente nas relações familiares e sociais.

“O fogo do Espírito não é porque você dança ou fala numa língua que ninguém entende […] Falamos as línguas dos anjos nas nossas celebrações, mas dentro da minha casa eu não consigo falar a língua da minha esposa e do meu esposo”, pontuou.

As reflexões de Zé Bruno somam-se a uma série de discussões sobre exegese e comportamento que movimentam o meio evangélico brasileiro, dividindo opiniões entre setores fiéis ao literalismo bíblico e correntes que priorizam a contextualização hermenêutica.



Logo Fuxico Gospel

DIGITE SUA BUSCA

Este site utiliza cookies essenciais para garantir o funcionamento adequado. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.