RIO DE JANEIRO (RJ) — As estimativas oficiais publicadas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028 indicam que o Brasil registrará cerca de 22.530 novos casos de câncer de estômago a cada ano.
A enfermidade, que figura como o quarto tipo de neoplasia mais letal e a terceira principal causa de morte por tumores malignos no país, voltou ao centro do debate de saúde pública após o falecimento do pastor, cantor e compositor Marquinhos Menezes, vítima de um adenocarcinoma gástrico diagnosticado originalmente em 2024.
Perfil Epidemiológico e Fatores de Risco
De acordo com os dados estatísticos do INCA e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), a incidência do câncer gástrico é desproporcionalmente maior na população masculina. Das 22,5 mil novas ocorrências anuais previstas, 13.830 são projetadas para homens e 8.700 para mulheres.
Aproximadamente 95% dos diagnósticos correspondem ao adenocarcinoma, tipo histológico que acomete predominantemente indivíduos do sexo masculino na faixa etária entre 60 e 70 anos.
O Ministério da Saúde aponta que o desenvolvimento da doença possui relação direta com determinantes alimentares, comportamentais e ambientais.
O consumo diário de sal acima de 6 gramas, a ingestão frequente de alimentos conservados no sal, o excesso de gordura corporal, o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas agridem a mucosa gástrica e elevam os riscos.
A infecção crônica pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) e a exposição ocupacional contínua a compostos como amianto, chumbo, radiação e produtos da indústria da borracha também constituem fatores determinantes de vulnerabilidade.
Sintomatologia, Diagnóstico e Protocolos de Tratamento
Especialistas alertam que o câncer de estômago é frequentemente assintomático em suas fases iniciais, ou apresenta manifestações similares às de afecções benignas, como a gastrite.
A busca por atendimento médico especializado é recomendada na presença de perda de peso sem causa aparente, inapetência, fadiga contínua, dor epigástrica e náuseas. Em estágios avançados, o quadro pode evoluir com hematêmese (vômito com sangue), melena (fezes escuras) e massas abdominais palpáveis.
As diretrizes de vigilância em saúde reiteram que a confirmação diagnóstica é realizada exclusivamente por meio de endoscopia digestiva alta acompanhada de biópsia.
O tratamento médico envolve ressecção cirúrgica (gastrectomia parcial ou total) combinada à quimioterapia e radioterapia para tumores localizados, reservando-se a quimioterapia sistêmica e o cuidado paliativo para casos metastáticos.