Antes de ser conhecido nas igrejas como Irmão Lázaro, Antônio Lázaro da Silva viveu o auge da música baiana como integrante do Olodum.
A fama, as viagens e o dinheiro, no entanto, não impediram que sua vida entrasse em uma fase de dependência química e perda de estabilidade.
O próprio cantor dizia que, depois de deixar a banda, passou de uma rotina de prestígio para uma situação de miséria e favores.
Da projeção nacional ao fundo do poço
Em entrevista publicada pela Folha Gospel, Lázaro contou que experimentou drogas ainda jovem e que o consumo se agravou ao longo dos anos.
Segundo ele, a cocaína passou de um uso esporádico para uma presença diária. O vício consumia o dinheiro e afastava as pessoas que faziam parte de sua vida.
A passagem pelo Olodum permanecia como lembrança de um tempo de sucesso, mas já não garantia sustento nem direção.
A entrada em uma igreja de Salvador
Lázaro relatou que já havia ouvido mensagens cristãs em diferentes momentos. Por muito tempo, evitou os convites e tratou com distância os amigos que falavam sobre o evangelho.
A mudança aconteceu em junho de 1999, quando entrou em uma congregação da Igreja Batista Lírio dos Vales, em Salvador.
O testemunho foi transformado mais tarde na canção Bagaço. Sem esconder o uso de maconha e cocaína, ele descreveu na música a sensação de ter sido consumido e de chegar à igreja sem forças.
Uma segunda carreira começou depois da queda
A conversão mudou também o rumo profissional. Lázaro passou a cantar no meio evangélico e ganhou projeção nacional com músicas como Meu Mestre e Eu Te Amo Tanto.
Seu álbum ao vivo Testemunho e Louvor fez da própria trajetória o centro da mensagem apresentada nos palcos.
A história dialoga com a infância de Kleber Lucas, que também encontrou na fé uma forma de reorganizar as memórias de escassez.
No caso de Lázaro, o ponto de virada não ocorreu diante de uma multidão. Começou quando um homem que já havia conhecido a fama decidiu atravessar a porta de uma igreja em um dos períodos mais frágeis de sua vida.