Aos 10 anos, Kellen Byanca saía de casa com bolos de pote para ajudar nas despesas da família em Governador Valadares, em Minas Gerais.
O objetivo era concreto: colaborar com a alimentação da casa e, especialmente, com a compra do leite do irmão mais novo.
Foi durante uma dessas vendas que uma apresentação improvisada diante de uma lanchonete mudou o rumo de sua história.
Uma família atravessando dificuldades
A biografia publicada pela Todah Music relata que a família vivia um período de vulnerabilidade financeira. A mãe enfrentava depressão, enquanto o pai trabalhava com carga e descarga.
Kellen insistiu para poder vender os bolos. Ainda criança, via na pequena renda uma forma de participar do sustento da casa.
Em uma lanchonete, o proprietário comprou um dos produtos e pediu que ela cantasse. O celular começou a gravar quando a menina interpretou Árvore Cortada, de Valesca Mayssa.
O vídeo saiu da lanchonete e chegou à gravadora
A gravação circulou nas redes sociais e atraiu milhares de visualizações. O que começou como um registro simples apresentou a voz de Kellen a pessoas que estavam fora do seu bairro.
Segundo o Diário do Rio Doce, a repercussão levou produtores a procurar a família e resultou em um contrato com a Todah Music.
A agenda começou a mudar. Kellen passou a viajar para cantar em igrejas e, com a concentração dos compromissos em São Paulo, a família decidiu se mudar.
A menina do bolo continuou no centro da narrativa
Em entrevistas posteriores, Kellen disse que sonhava estudar arquitetura e construir uma casa para a mãe. A carreira artística surgiu antes que esse plano pudesse ser seguido da forma imaginada.
A história não apaga as dificuldades financeiras enfrentadas pela família. Ao contrário, explica por que o vídeo gravado diante da lanchonete teve um significado tão grande.
Naquele dia, Kellen não estava procurando uma audição. Estava vendendo um bolo. A música apareceu no intervalo de uma necessidade e transformou um momento cotidiano no primeiro capítulo público de sua carreira.