Investigação

Operacao Make Up: Unigrejas movimentou R$ 928 mil em dinheiro vivo, aponta STF e Coaf

Relatório de inteligência financeira apontou fluxo atípico de R$ 7,7 milhões na entidade religiosa e suspeita de retorno de verbas federais

Por Caio Rangel • Publicado em 11/09/2026 às 10h17
Tom Cruise aparece em montagem do filme Dark Horse cercado por cédulas de dinheiro
Tom Cruise aparece em montagem relacionada ao filme Dark Horse, com cédulas de dinheiro ao fundo.

BRASÍLIA (DF) — A União Nacional das Igrejas e Pastores (Unigrejas) tornou-se centro de investigações da Polícia Federal após a autorização da Operação Make Up pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), expedida nesta quinta-feira (10).

Relatórios fornecidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e anexados à decisão judicial apontam uma movimentação financeira atípica de R$ 7,7 milhões pela entidade eclesiástica entre 2025 e 2026, com o aporte de R$ 928 mil efetuados estritamente em espécie.

Triangulação de emendas, ONG e produtora de cinema

De acordo com os autos do processo, a Unigrejas figura como uma das destinatárias de repasses operados pela empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e produtora do filme Dark Horse.

As apurações indicam que a empresária transferiu R$ 50 mil de forma direta à associação de pastores e outros R$ 50 mil por meio da ONG mantida por ela, entidade receptora de emendas parlamentares federais.

A Polícia Federal sustenta a tese de “triangulação financeira”: recursos do ICB teriam sido repassados a empresas do grupo do empresário Heric Fabiano Dias que, posteriormente, transferiram R$ 750 mil para a Go Up Entertainment Ltda., produtora societária de Karina Gama e que conta com o deputado federal Mário Frias como produtor-executivo.

Transações em espécie e investigação no STF em 2026

Os desdobramentos da Operação Make Up geram forte impacto nos bastidores do meio evangélico e no Congresso Nacional. A similaridade de valores e a sucessão de depósitos fracionados vindos de diversas regiões do país sinalizam, para os investigadores, mecanismos de dissimulação e ocultação da origem de verbas públicas destinadas à área cultural e de assistência social.

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