Política

Lula associa vermelho do PT ao “sangue de Cristo” em encontro com lideranças evangélicas

Em reunião no Palácio do Planalto, presidente afirmou que a religião é sagrada, e pontuou que não faz política dentro de templos

Por Caio Rangel • Publicado em 17/09/2026 às 08h51
Presidente da República discursa durante evento
Presidente da República durante discurso em evento público.

BRASÍLIA (DF) — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou um momento de forte valor simbólico e político ao participar, nesta quarta-feira (16), de uma reunião reservada no Palácio do Planalto com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e convidados internacionais vindos dos Estados Unidos e de Cuba.

Durante a alocução de cerca de 25 minutos, o chefe do Executivo recorreu a metáforas do universo cristão para contextualizar a história de sua agremiação política e a própria imagem pública.

Símbolos partidários, linguagem religiosa e recusa a comícios em templos

No pronunciamento distribuído posteriormente pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), o presidente relembrou os desafios enfrentados no surgimento do Partido dos Trabalhadores ao explicar o significado da estética partidária.

“Quando eu criei meu partido, eu passei anos tendo que explicar a cor da bandeira […] Eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira. Depois que questionaram a bandeira, questionaram a estrela […] passei a vida inteira mostrando que os grandes navegadores […] utilizavam a estrela como guia. Depois […] passei a explicar minha barba: ‘Jesus Cristo era barbudo’”, disse Lula aos líderes presentes.

Apesar da aproximação conceitual, o presidente enfatizou que mantém uma fronteira rígida entre o exercício da fé e a propaganda partidária, declarando que se recusa a realizar discursos eleitorais no interior de igrejas.

“Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja”, ressaltou o mandatário, classificando a religião como uma dimensão sagrada que exige respeito às escolhas individuais.

Lula também estabeleceu um paralelo entre as estruturas eclesiásticas, afirmando que a Igreja Católica enfrentará desafios organizacionais caso não revise o celibato clerical e a restrição ao ordenamento feminino.

Para o presidente, o meio protestante apresenta avanços institucionais nesse aspecto: “Essa é uma vantagem que a Igreja Evangélica tem. As mulheres são tratadas em igualdade de condições. A mulher pode ser o que ela quiser”, ponderou.

A agenda, que contou com as presenças da primeira-dama Janja da Silva, do advogado-geral da União, Jorge Messias, da senadora Eliziane Gama (PT-MA) e do cantor e pastor Kleber Lucas, serviu ainda como prévia para o discurso que o presidente proferirá na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), marcada para 23 de setembro, na qual abordará o combate às desigualdades, os conflitos internacionais e a cooperação entre povos.

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