Política

Quatro ex-presidentes da Frente Parlamentar Evangélica são derrotados nas urnas

Eleições de 2026 reconfiguram a Bancada Evangélica e consolidam nomes de forte impacto digital

Por Caio Rangel • Publicado em 07/10/2026 às 08h52
Pastores deputados ganham destaque na política brasileira
Montagem reúne quatro pastores deputados durante discursos e atividades parlamentares no Congresso Nacional.

BRASÍLIA DF — As eleições gerais de 2026 produziram uma mudança estrutural e significativa entre os principais nomes da representação evangélica no Congresso Nacional.

Dos cinco deputados federais que se revezaram na presidência da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) desde 2018, apenas um conseguiu retornar à Câmara dos Deputados: Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) foi reeleito, enquanto outros quatro nomes de peso que ocuparam o comando da bancada ficaram fora da próxima legislatura.

Derrotas de lideranças históricas e ex-presidentes da bancada

O resultado nas urnas refletiu um recuo expressivo para parlamentares com trajetórias consolidadas ao longo de décadas tanto no Legislativo quanto em suas respectivas denominações religiosas. Gilberto Nascimento (Pode-SP), que comandava a presidência da bancada, não obteve os votos necessários e ficou na suplência.

Cezinha de Madureira (PL-SP), importante liderança ligada à Assembleia de Deus Ministério Madureira, também não garantiu a reeleição.

No mesmo sentido, Silas Câmara (Republicanos-AM), que acumulava quase três décadas de atuação contínua na Câmara, perdeu a disputa no Amazonas. Eli Borges (PL-TO), outro nome tradicional do colegiado, optou por deixar a disputa à reeleição na Câmara para concorrer ao Senado pelo Tocantins, mas encerrou a corrida na terceira colocação.

Apesar dessas baixas expressivas, analistas apontam que a perda de espaço desses parlamentares não representa uma diminuição quantitativa ou qualitativa da participação evangélica no Congresso

. O que o pleito indicou foi uma alteração profunda nos perfis dos eleitos, nas estratégias de comunicação e nos métodos de construção de liderança política dentro do segmento.

A Nova geração digital, a influência das redes e a pluralidade

O pleito evidenciou a consolidação de uma nova safra de políticos evangélicos que utiliza as plataformas digitais como principal ferramenta de diálogo com a sociedade.

Nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e André Fernandes (PL-CE) figuraram entre as maiores votações de seus estados, transformando audiência acumulada na internet em capital eleitoral expressivo.

Essa dinâmica passa a dividir espaço com a tradicional estrutura institucional das igrejas, exigindo dos candidatos uma presença diária e constante nos smartphones dos eleitores por meio de vídeos, transmissões ao vivo e engajamento contínuo, dinâmica também ressaltada por parlamentares veteranos reeleitos, como Marco Feliciano.

A configuração da nova legislatura também reforça que a representação evangélica no Brasil não se restringe a um único espectro político ou partidário.

Embora a maioria dos nomes de grande projeção esteja alinhada à direita e ao conservadorismo, parlamentares progressistas como o Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) mantêm espaço cativo, demonstrando que o eleitorado cristão é heterogêneo e influenciado por fatores econômicos, ideológicos e conjunturais, indo além de orientações unilaterais emitidas por cúpulas denominacionais.

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