A pastora Valnice Milhomens publicou um carrossel no Instagram em que trata o resultado recente como uma etapa de uma batalha ainda em andamento. A mensagem integra a campanha “Ore pelo Brasil” e aparece identificada como “Dia 3”, com a data de 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno das eleições.
Logo na abertura, Valnice afirma: “Não confunda uma vitória parcial com o fim da batalha”. Nos slides seguintes, a líder religiosa diz que não seria suficiente enfrentar apenas os efeitos visíveis de problemas como corrupção, injustiça e manipulação.
A expressão de maior impacto aparece no trecho “queremos a cabeça”. No conjunto do carrossel, a frase é apresentada como uma metáfora para “chegar à raiz” do que a pastora descreve como estruturas de engano e opressão.
A publicação também recorre à narrativa bíblica de Juízes 4, citando Sísera e Jabim para diferenciar aquilo que estaria à vista da estrutura que sustentaria o problema.
Publicação foi feita após o primeiro turno
O momento da postagem deu à mensagem uma leitura política. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Valnice tem adotado posição crítica à esquerda durante a campanha eleitoral. Ainda assim, o carrossel não menciona Lula, Flávio Bolsonaro, partidos ou qualquer autoridade. Também não há no texto uma associação direta entre a frase “queremos a cabeça” e uma pessoa específica.
Por isso, a relação com o atual governo aparece como uma interpretação baseada no contexto eleitoral, no histórico público da pastora e nas reações deixadas por seguidores — não como uma afirmação expressa por ela nessa publicação.
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Comentários mostram divisão entre seguidores
A publicação provocou reações favoráveis e críticas. Uma seguidora escreveu: “Declaramos vitória em todas as capitais dos estados brasileiros”. Outra afirmou que a mensagem representava “uma verdadeira campanha eleitoral disfarçada em campanha espiritual”.
Também houve quem resumisse a crítica com a frase “Isso aqui é instrumentalização da fé”. Em outra reação, uma usuária questionou por que cristãos acreditariam que um candidato de direita acabaria com a corrupção no país.
Na legenda, Valnice reforçou que “não basta tratar os sintomas” e defendeu uma transformação na origem dos problemas. Até a consulta feita pela reportagem, o post acumulava cerca de 5,3 mil curtidas, 289 comentários e 539 republicações.