A Netflix divulgou nesta semana o trailer oficial de “Apocalipse nos Trópicos”, novo documentário dirigido por Petra Costa, conhecida por Democracia em Vertigem, produção indicada ao Oscar em 2019. O filme tem estreia marcada para 3 de julho nos cinemas de São Paulo e Rio de Janeiro, chegando ao catálogo mundial da plataforma em 14 de julho.
No trailer, é possível ver trechos de entrevistas inéditas com nomes centrais do cenário político e religioso brasileiro, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças evangélicas do país. A produção promete analisar a fundo o avanço da fé evangélica no Brasil e seus desdobramentos no campo político e social ao longo da última década.
Narrado sob o olhar crítico de Petra Costa, o documentário apresenta reflexões sobre como a religião se consolidou como força determinante em eleições, campanhas e decisões parlamentares. A diretora explora a crescente atuação de igrejas e lideranças religiosas como formadoras de opinião, com impacto direto na condução de pautas morais, econômicas e sociais.
Nos últimos anos, o Brasil vivenciou uma intensa polarização política, marcada principalmente pela disputa entre Lula e Bolsonaro. Durante esse período, a maior parte dos evangélicos manifestou apoio maciço ao ex-presidente Jair Bolsonaro, motivados por agendas conservadoras e pelo discurso de defesa da família tradicional, segurança pública e valores cristãos.
Analistas apontam que essa aliança entre bolsonarismo e grandes denominações evangélicas consolidou um dos grupos mais influentes do eleitorado brasileiro, capaz de definir resultados eleitorais e pressionar o Congresso em pautas como aborto, educação sexual e direitos LGBTQIA+. O fenômeno, porém, também gerou divisões internas nas igrejas, com parte dos fiéis criticando a politização excessiva da fé.
Apocalipse nos Trópicos se propõe a examinar justamente esse cenário, expondo as contradições, interesses e estratégias que aproximaram líderes religiosos do poder, além das consequências dessa relação para a democracia brasileira. Para Petra Costa, trata-se de um retrato urgente sobre fé, política e destino nacional.