Charlie Kirk era ativista conservador, comunicador e cofundador da Turning Point USA (TPUSA), organização que mobiliza universitários em defesa de livre mercado, governo limitado e valores cristãos. Ele também ancorava o The Charlie Kirk Show (rádio e podcast) e, nos últimos anos, passou a investir numa vertente explicitamente religiosa por meio da TPUSA Faith, em que articulava política e fé e convocava cristãos a “restaurar valores bíblicos” na vida pública.
Kirk foi baleado e morreu na quarta-feira, 10 de setembro de 2025, durante uma apresentação na Utah Valley University (UVU), em Orem. Relatos iniciais indicam um único disparo a longa distância, cena registrada em vídeo e investigada pelo FBI. Líderes de diferentes partidos condenaram a violência; Donald Trump lamentou publicamente a morte e determinou bandeiras a meio‐mastro.

10 perguntas e respostas polêmicas
1) Ele era “armamentista”?
Sim, defendia amplamente a Segunda Emenda. Em abril de 2023, após um massacre escolar em Nashville, afirmou em evento da TPUSA que “infelizmente vale a pena arcar com o custo de algumas mortes por armas todos os anos” para preservar esse direito — declaração muito criticada por grupos de controle de armas.
2) Ele foi acusado de racismo?
Com frequência. Kirk rejeitava a ideia de “privilégio branco” e atacava políticas de diversidade, o que críticos classificavam como racismo implícito. Em peças de comunicação da própria TPUSA, ele tratou “white privilege” como “mito racista”. Não há, porém, condenação judicial por discriminação racial contra ele.
3) Ele odiava judeus?
Não há evidência factual de declarações antissemitas explícitas atribuídas a Kirk. Críticas surgiram quando ele ecoou ou se aproximou da retórica da “teoria da substituição” ao discutir imigração e eleições — narrativa que especialistas associam a movimentos xenófobos e, em alguns contextos, a discursos com carga antissemita. A acusação de “odiar judeus”, contudo, não se sustenta em registros diretos.
4) Ele era misógino?
Kirk defendia papéis de gênero tradicionais e criticava pautas feministas, o que rendeu acusações de misoginia por opositores. Um episódio recorrente em sua trajetória pública foi o embate sobre linguagem e identidade de gênero; em 2022, seu perfil no então Twitter foi bloqueado após ele misgenerar uma autoridade de saúde — caso enquadrado pela plataforma, à época, na política de “conduta odiosa”. Isso embasou críticas sobre seu trato de questões de gênero; ainda assim, não há condenações legais por misoginia.
5) Ele tinha discurso xenófobo?
Ele adotava retórica dura contra imigração irregular e já vinculou políticas democratas a mudanças demográficas que prejudicariam conservadores — construção que analistas identificam como versão do “great replacement”. Checagens independentes classificam esse enredo como desinformação, e especialistas destacam o uso político dessa narrativa.
6) Ele espalhou desinformação sobre eleições e pandemia?
Há registros de que promoveu alegações infundadas sobre fraude eleitoral em 2020 e veiculou mensagens controversas sobre COVID-19 e vacinas; suas contas foram alvo de medidas de moderação ao longo do período. Relatórios e audiências no Congresso e checagens jornalísticas tratam a circulação dessas mensagens como parte de um ecossistema de desinformação nas redes.
7) Qual foi o papel dele em 6 de janeiro de 2021?
Kirk divulgou, e depois apagou, um tuíte no qual dizia enviar “80+ ônibus” de apoiadores a Washington para 6 de janeiro. Posteriormente, relatos indicaram que o número real foi menor, e a própria Turning Point Action afirmou ter condenado a violência. Ele declarou que “fazer algo estúpido não torna alguém um insurrecionista”, tentando separar quem cometeu crimes de quem apenas foi ao ato.
8) Ele fazia “discurso de ódio” no sentido legal?
Não há decisão judicial classificando suas falas como “hate speech” em termos legais. No âmbito das plataformas, porém, houve sanções: em 2022, sua conta foi bloqueada por violar regras de “conduta odiosa” ao misgenerar Rachel Levine. Essas políticas eram privadas e foram posteriormente alteradas pela plataforma.
9) Ele mudou de posição em temas sensíveis?
Houve inflexões retóricas, mas, no geral, manteve linhas duras. Em diferentes momentos, por exemplo, variou o tom ao falar de figuras históricas dos direitos civis, porém sustentou críticas a políticas de DEI e ao que chamava de “cultura woke”, sem grandes recuos públicos. (Registros dispersos em seus vídeos e turnês; não há um “marco” único de retratação.)
10) Como ele justificava suas posições — pela política ou pela fé?
Kirk dizia atuar pela liberdade de expressão e por valores cristãos na esfera pública. Na TPUSA Faith, falava em “batalha espiritual” e exortava cristãos a orar por autoridades e engajar-se politicamente para “restaurar valores bíblicos” — um traço que estudiosos e observadores descrevem como afinado ao “nacionalismo cristão”.