Nesta segunda-feira (27), completam-se dois anos da morte de Sara Freitas, crime que mobilizou a comunidade evangélica e gerou forte comoção pública.
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil e com as peças do Ministério Público, Sara foi atraída para uma emboscada, esfaqueada e morta, e seu corpo foi encontrado carbonizado em um matagal de Dias D’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, dois dias depois do desaparecimento.
O inquérito atribuiu a autoria intelectual a Ederlan Santos Mariano, marido da vítima à época, e apontou a participação do pastor Weslen Pablo Correia de Jesus (conhecido como Bispo Zadoque), do motorista de aplicativo Gideão Duarte de Lima e de Victor Gabriel Oliveira Neves. Todos foram presos e denunciados por feminicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa, segundo o Ministério Público.
Em abril deste ano, o Tribunal do Júri condenou Gideão Duarte a 20 anos e 4 meses de reclusão, em regime fechado, reconhecendo sua participação direta no transporte de Sara até o local onde ela foi morta. Já Ederlan, Zadoque e Victor Gabriel aguardam julgamento, com recursos ainda em tramitação, de acordo com a Justiça baiana.
Linha do tempo
Sara desapareceu em 24 de outubro de 2023, depois de sair de casa, no bairro de Valéria, em Salvador, para um compromisso religioso em Dias D’Ávila.
No dia 26, Ederlan registrou um boletim de ocorrência informando que a esposa havia saído para cantar e não retornara. Em 27 de outubro, o corpo foi encontrado carbonizado às margens da BA-093; a identificação foi confirmada pelo próprio marido.
A partir daí, a investigação policial reuniu depoimentos, perícias e elementos que, segundo a acusação, sustentam a tese de crime premeditado, com divisão de tarefas entre os envolvidos.
O que dizem as autoridades e os próximos passos
Segundo a acusação, o crime foi qualificado por motivos ligados à condição de vítima mulher (feminicídio), com emprego de recurso que dificultou a defesa e por ocultação posterior do cadáver. As qualificadoras decorrem do art. 121, §2º e §2º-A, do Código Penal (Lei 13.104/2015). A fase atual do processo para os réus remanescentes é de preparação para júri, com análise de recursos e eventuais diligências complementares, como costuma ocorrer em casos de grande repercussão.
A defesa dos réus condenados e dos ainda não julgados tem o direito de recorrer. Até a última atualização desta reportagem, as defesas de Ederlan Santos Mariano, Weslen Pablo (Bispo Zadoque) e Victor Gabriel Oliveira Neves não haviam se manifestado publicamente sobre o mérito das acusações. O espaço permanece aberto.
Impacto e mobilização
A morte de Sara Freitas, conhecida por seu ministério em igrejas da Bahia, segue motivando vigílias, homenagens e manifestações por justiça. Para familiares, amigos e fiéis, a data de dois anos funciona como marco de memória e de cobrança por responsabilização definitiva de todos os envolvidos, dentro do processo legal.
O O Fuxico Gospel procurou as defesas de Ederlan Santos Mariano, Weslen Pablo Correia de Jesus (Bispo Zadoque) e Victor Gabriel Oliveira Neves, e mantém o espaço aberto para manifestação das partes mencionadas nesta reportagem.
As informações acima têm base em documentos oficiais, decisões judiciais, registros policiais e declarações de autoridades. Solicitações de correção ou direito de resposta podem ser enviadas para contato@ofuxicogospel.com.br.