A vida do ex-pastor Mário Justino, um dos casos mais controversos da história da Igreja Universal do Reino de Deus, será contada nas telonas. O diretor José Eduardo Belmonte prepara o longa-metragem “Justino”, inspirado na trajetória do religioso que foi expulso da igreja após revelar ser portador do vírus HIV. O ator Antonio Pitanga interpretará o protagonista, enquanto Caio Blat dará vida a um bispo evangélico, responsável pela saída do pastor da instituição.
Mário Justino foi um dos nomes de destaque da Universal nos anos 1990, até ser afastado por determinação do fundador da igreja, Edir Macedo. O episódio provocou forte repercussão na época, pois Justino era considerado um dos pregadores mais influentes do ministério. Segundo ele, sua expulsão ocorreu após confessar que vivia com Aids, o que teria causado um escândalo interno e preocupação com possíveis “prejuízos morais” à imagem da denominação.
Após o afastamento, Justino decidiu romper o silêncio e publicou, em 1995, o livro “Nos Bastidores do Reino: A Vida Secreta na Igreja Universal do Reino de Deus”, no qual relata supostos casos de corrupção, manipulação espiritual e escândalos envolvendo líderes religiosos. A obra foi inicialmente censurada pela Justiça a pedido da igreja, mas voltou às livrarias em 1997, tornando-se símbolo da luta pela liberdade de expressão no meio religioso.
Temendo represálias, o ex-pastor deixou o Brasil e recebeu asilo político nos Estados Unidos em 1998, onde passou a viver permanentemente. Na época, afirmou ter finalmente encontrado a paz que sempre buscou.
O filme “Justino” promete revisitar temas sensíveis como fé, hipocrisia e exclusão, explorando o lado humano de um homem que desafiou uma das maiores instituições religiosas do país. O livro foi relançado em 2021, reacendendo o interesse público pela história. Atualmente, não há informações confirmadas sobre o paradeiro ou o estado de saúde de Mário Justino.