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Alessandro Vilas Boas diz que beber álcool não é pecado e agita a web

Líder da Igreja ONE e referência do worship brasileiro defendeu o consumo com moderação, divergindo da tradição conservadora de igrejas históricas.

Por Izael Nascimento • Publicado em 04/12/2025 às 14h23 • Atualizado em 26/12/2025 às 09h29
Cantor gospel Alessandro Vilas Boas posa para retrato em fundo escuro, imagem usada em matéria sobre fala a respeito de evangélico ingerir bebida alcoólica
O pastor e cantor gospel Alessandro Vilas Boas em foto de divulgação. (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO (SP) — Um dos nomes mais influentes da nova geração da música gospel tocou em um dos tabus mais antigos do segmento evangélico brasileiro. O cantor e pastor Alessandro Vilas Boas, fundador da Igreja ONE e autor de sucessos como “Quero Conhecer Jesus” e “O Carpinteiro”, utilizou suas redes sociais para responder a uma dúvida recorrente entre seus seguidores: cristão pode ou não ingerir bebida alcoólica?

A resposta do líder de adoração foi direta e rompeu com a visão abstêmia defendida pela maioria das denominações pentecostais clássicas. Ao ser questionado em uma caixa de perguntas no Instagram, Alessandro afirmou que não enxerga a proibição nas Escrituras. “Eu sou da opinião que a bebida alcoólica não é pecado, desde que seja consumida com moderação e ponderação”, declarou.

Para embasar seu posicionamento, o cantor recorreu à interpretação teológica, argumentando sobre a falta de vetos explícitos no texto sagrado quanto ao ato de beber em si, diferenciando-o da embriaguez. “Eu não encontro base bíblica para tratar a bebida alcoólica como pecado. Então, basicamente é isso”, concluiu o pastor, cuja igreja é conhecida por atrair um público jovem e universitário, com uma liturgia focada em paternidade e intimidade, muitas vezes distante dos dogmas de “usos e costumes”.

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A declaração de Vilas Boas coloca luz sobre um abismo geracional e doutrinário dentro do protestantismo no Brasil. Enquanto líderes da “velha guarda”, como o pastor Silas Malafaia (ADVEC) e a liderança da Assembleia de Deus, historicamente condenam o consumo de álcool — muitas vezes associando-o ao “escândalo” ou à porta de entrada para vícios —, pregadores da linha reformada ou do movimento worship tendem a tratar o assunto sob a ótica da liberdade cristã e da responsabilidade individual.

Outros nomes de peso já navegaram por águas turbulentas ao tocar nesse tema. O pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista de Água Branca, é conhecido por defender que a Bíblia condena a embriaguez, e não o álcool, citando contextos culturais judaicos. Na contramão, líderes populares como Cláudio Duarte costumam aconselhar a abstenção total, não por ser pecado em si, mas pelo princípio de não ser pedra de tropeço para irmãos mais fracos na fé.

Pastor Ed René Kivitz posa para retrato com braços cruzados diante de estante de livros, imagem usada em matéria sobre consumo de bebida alcoólica por evangélicos
O pastor Ed René Kivitz em retrato usado para ilustrar debate sobre bebida alcoólica entre evangélicos. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

A postura de Alessandro reflete uma tendência de desconstrução de regras comportamentais rígidas entre a juventude evangélica, que busca separar o que consideram “religiosidade humana” dos mandamentos divinos. No entanto, a fala gerou debate imediato nos comentários, com seguidores divididos entre o apoio à “liberdade em Cristo” e o temor de que a liberação, vinda de uma referência musical, possa influenciar jovens ao alcoolismo.

A reportagem monitorou as redes sociais do cantor após a publicação, mas até o momento ele não voltou a tocar no assunto ou aprofundar a explicação teológica, mantendo a resposta curta e objetiva como seu posicionamento oficial.

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