RIO DE JANEIRO (RJ) — O cantor e compositor Mattos Nascimento provocou uma intensa onda de debates nas redes sociais após proferir duras críticas ao subgênero conhecido como “gospel romântico”.
Durante sua participação no podcast Rangel Cast, o artista relatou ter desligado o rádio de seu veículo ao ouvir uma composição de temática sentimental, sustentando que produções focadas em relacionamentos afetuosos desviam-se da essência da mensagem do Evangelho.
Defesa do Cristocentrismo na Música Cristã
Em seu desabafo durante a entrevista, Mattos Nascimento adotou um tom incisivo para conceituar o que considera ser a verdadeira finalidade da arte sacra.
“Para mim é uma nojeira. Música romântica gospel pra mim é nojo. Pra mim, o evangelho de hoje está diferente […] O tema do hino tem que ser Cristo. Porque se não for Jesus no tema do seu hino, se não for o céu, se não for o espaço celeste, Deus como Salvador e libertador, pra mim não tem muito valor”, afirmou o intérprete, aludindo ao texto de canções voltadas para o público casado ou noivo.
O Debate entre Teologia e Mercado Fonográfico
As declarações do cantor veterano expõem uma divergência teológica histórica no protestantismo brasileiro. Enquanto defensores da visão estrita (alinhada a Mattos) argumentam que a música no ambiente eclesiástico deve ser estritamente congregacional e doutrinária, produtores e artistas do segmento romântico defendem que o amor conjugal é uma instituição abençoada pela fé cristã e que expressá-lo por meio da música constitui um testemunho de valores familiares, amparado em livros bíblicos como Cântico dos Cânticos.
A repercussão da entrevista de Mattos Nascimento reacende as discussões sobre a identidade da música cristã no Brasil e os limites entre a devoção e as produções temáticas.
Correções: Encontrou um erro? Fale com a redação: contato@ofuxicogospel.com.br.