RIO DE JANEIRO (RJ) — A cantora e pastora Léa Mendonça sugere uma ferida aberta em sua trajetória ministerial ao relembrar sua proximidade com o casal Flordelis e Anderson do Carmo.
Em um depoimento forte e necessário, a artista afirma que foi “ganha na lábia” pelo pastor e que a admiração que sentia pela mulher de 50 filhos se transformou em uma profunda lição sobre narcisismo e manipulação.
“O meu mundo caiu”
Léa afirma que defendia Flordelis de qualquer crítica, acreditando piamente na narrativa da missão humanitária da então cantora e deputada.
O choque com a revelação do crime e dos bastidores da família revelou ter sido um divisor de águas para Léa. “Meu mundo caiu e não levantou mais no sentido de ‘vai devagar'”, contou a artista ao alertar que cristãos precisam ser cautelosos com líderes que se apresentam como “capas” perfeitas.
A cantora apontou que Anderson do Carmo possuía um poder de persuasão fora do comum, utilizando a eloquência para convencer artistas a participarem de eventos na “Cidade do Fogo” e até a abrirem mão de remunerações.
Léa descreveu que, em certas ocasiões, ele mexia com seu emocional para que ela recusasse o cachê. “Os grandes narcisistas estão dentro das igrejas e na política; eles são sedutores”, afirma Leá Mendonça.
Lição para a igreja atual
Hoje, com Flordelis cumprindo pena no presídio de Bangu pela morte de Anderson, Léa afirma que prefere focar sua confiança nos personagens bíblicos do que em figuras públicas contemporâneas.
Ela evidencia que o episódio serviu para que ela passasse a observar com mais sobriedade as alianças no meio gospel, revelando que a eloquência e o carisma muitas vezes escondem personalidades predatórias que buscam apenas o status e o poder.
A fala de Léa atua como um mecanismo de autocrítica necessário para o setor, expondo como o soft power da “caridade ostentação” foi usado para blindar condutas criminosas.
Ao associar narcisismo à política e à religião, Léa toca em um ponto sensível da atualidade brasileira: a vulnerabilidade das massas diante de líderes carismáticos. Esse testemunho fortalece uma nova tendência de “fé com pé no chão”, onde o discernimento clínico sobre o comportamento humano passa a ser tão importante quanto a afinidade espiritual nas igrejas.
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