SÃO PAULO (SP) — O pastor Carlos Alberto Bezerra, fundador da Comunidade da Graça, utilizou as redes sociais para comentar a caminhada espiritual de Bono Vox, líder da banda U2. Na avaliação do pastor, a fé do artista não é simbólica nem retórica, mas resultado de uma experiência cristã autêntica iniciada ainda na juventude.
Um encontro que redefiniu a vida
Segundo Bezerra, a conversão de Bono ocorreu no Grupo Shalom, em Dublin, em um período marcado pela dor da perda precoce da mãe. O pastor afirma que o impacto espiritual foi tão profundo que o jovem chegou a cogitar abandonar a música para se dedicar exclusivamente à fé.
No entanto, conforme relatado, Bono compreendeu que não precisava renunciar à própria vocação artística para seguir a Jesus. Para Bezerra, essa compreensão foi decisiva: o chamado cristão poderia se manifestar tanto em um púlpito quanto em um estúdio de gravação ou sobre um palco diante de multidões.
Fé fora do rótulo gospel
Carlos Alberto Bezerra também rebate críticas recorrentes de setores cristãos que defendem que o cantor deveria migrar para o mercado gospel. Na visão do pastor, a atuação de Bono no cenário secular amplia o alcance da mensagem cristã, levando princípios do Evangelho a públicos que dificilmente teriam contato com a igreja institucional.
Para ele, o vocalista do U2 exerce um papel semelhante ao de um “pregador contemporâneo”, utilizando a arte como instrumento de conscientização, justiça social e transformação humana. Bezerra destaca que a coerência entre fé, discurso e prática é o que sustenta a credibilidade espiritual do artista.
Uma espiritualidade que alcança
O pastor afirmou identificar afinidade com a espiritualidade de Bono, que descreve como não dogmática e profundamente encarnada na realidade. Segundo ele, diversas canções do U2 funcionaram, ao longo das décadas, como instrumentos de cura emocional e reconexão espiritual para milhões de pessoas ao redor do mundo.
“Talvez ele já tenha pregado para você em uma música que te restaurou”, afirmou Bezerra, ao defender que o Evangelho não está limitado às estruturas religiosas tradicionais.
Debate atual no meio evangélico
A defesa pública da fé de Bono Vox ocorre em um momento de forte polarização no evangelicalismo brasileiro. De um lado, setores mais conservadores insistem na separação rígida entre o sagrado e o secular. De outro, líderes veteranos como Carlos Alberto Bezerra buscam legitimar a presença cristã no espaço público e cultural.
Nos últimos anos, com o crescimento do fundamentalismo e o distanciamento das novas gerações das instituições religiosas, figuras como Bono — conhecido também por sua atuação humanitária e diplomática no combate à pobreza global — torna-se referência de um cristianismo relevante, capaz de dialogar com a Geração Z e a Geração Alpha, que rejeitam dogmas institucionais, mas demonstram interesse por espiritualidade expressa em causas, arte e compromisso ético.
Nesse cenário, a fala de Bezerra não apenas defende um artista, mas propõe um modelo de fé que sobrevive fora dos muros do templo e se manifesta no coração da cultura contemporânea.