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PF prende mãe e irmão do cantor Oruam em operação contra o Comando Vermelho

Marcia Gama dos Santo Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno foram alvos de mandados cumpridos nesta segunda-feira (19)

Por Caio Rangel • Publicado em 19/10/2026 às 10h49
Oruam abraça e beija a mãe no rosto. Ela sorri para a câmera, usando um vestido verde, enquanto o rapper veste uma jaqueta azul com mangas brancas.
Oruam aparece abraçando e beijando a mãe em um registro familiar.

RIO DE JANEIRO (RJ) — A Polícia Federal (PF), em uma ação coordenada e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deflagrou na manhã desta segunda-feira (19), a chamada Operação Backbone.

O objetivo da ofensiva é desarticular uma teia de crime organizado ligada ao Comando Vermelho no Rio de Janeiro, focada na imposição de um monopólio violento sobre a prestação de serviços de internet em complexos de favelas da capital e da Região Metropolitana.

Entre os alvos presos encontram-se Marcia Gama dos Santos Nepomuceno — mãe do cantor Oruam e declaradamente evangélica — e Lucas Santos Nepomuceno, irmão do artista.

O esquema de extorsão, monopólio de internet e lavagem de dinheiro

De acordo com as investigações conduzidas pela PF, o esquema criminoso utilizava táticas violentas e sistemáticas de coerção. Traficantes armados cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedindo reparos e obrigando moradores e comerciantes locais a contratarem exclusivamente provedores autorizados pela facção.

Essas empresas repassavam mensalmente taxas ilegais ao grupo criminoso, transformando o setor de telecomunicações em uma das fontes mais lucrativas do tráfico na região — a ponto de registros contábeis apreendidos apontarem que a arrecadação com internet representava mais de 40% da receita do grupo no Complexo da Penha em apenas um mês.

A ordem judicial cumprida no endereço de Marcia Gama, localizado no bairro do Pechincha, na zona sudoeste da capital fluminense, incluiu a apreensão de armas, munições, computadores, celulares e o acesso autorizado a dados em nuvem.

A Justiça determinou ainda o bloqueio massivo de bens e valores que alcançam a cifra de R$ 558 milhões, atingindo 40 pessoas físicas e 42 empresas, além de ordenar a suspensão de atividades de provedores, produtoras de eventos e negócios de fachada apontados como instrumentos de lavagem de dinheiro por meio de criptoativos e imóveis de alto padrão.

Escopo da operação, envolvimento da anatel e crimes apurados

Ao todo, a Operação Backbone mobilizou os agentes federais para o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em localidades como o Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) também foi acionada para adotar providências quanto à cassação de autorizações das empresas investigadas, com diretrizes para resguardar o acesso essencial dos moradores locais aos serviços de rede.

Os investigados responderão por uma série de graves delitos, incluindo domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

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