GOIÂNIA (GO) — A Assembleia de Deus Ministério Fama quebrou o silêncio nesta sexta-feira (6) e anunciou a destituição e o afastamento definitivo de um de seus líderes.
A medida drástica ocorre no olho do furacão das graves denúncias de estupro, abuso sexual e manipulação psicológica envolvendo o pastor Pablo Godoi.
De acordo com a denominação, a punição severa foi adotada após a cúpula “tomar conhecimento de fatos graves relacionados à conduta” do líder na sede da instituição.
Exclusão sumária do púlpito e das funções
Segundo a nota oficial, a guilhotina eclesiástica desceu na noite da última terça-feira (3), às 21h, durante uma reunião extraordinária conduzida pelo presidente do Ministério Fama, que contou com a presença de líderes da juventude e pastores integrantes da diretoria.
“Decidiu, em caráter administrativo, pela sua imediata substituição no respectivo cargo, bem como por seu desligamento de todas as funções eclesiásticas, incluindo a exclusão de seu cargo pastoral”, decretou a igreja.
O que a igreja escondeu nas entrelinhas
No comunicado publicado no perfil oficial do Instagram, a Assembleia de Deus declarou que está “acompanhando o caso” e reafirmou seu “compromisso com a verdade e a transparência”.
Na prática, porém, a comunicação institucional buscou blindar a imagem da igreja com duas omissões estratégicas:
Primeiro, o Ministério Fama optou por não citar o nome de Pablo Godoi no documento, emitindo uma nota genérica para os fiéis.
Segundo, a decisão foi tomada na terça-feira (3), mas só veio a público nesta sexta (6), evidenciando que a denominação só se manifestou após as acusações da influenciadora Bruna Suyanne viralizarem na internet.
E a Polícia?
Outro ponto que chamou a atenção no pronunciamento é o limite da ação da congregação.
O comunicado não esclarece se as denúncias de crimes sexuais no gabinete foram encaminhadas às autoridades policiais competentes, ou se a igreja se limitou apenas a lavar as mãos punindo o religioso administrativamente.
As acusações contra Pablo Godoi — que envolvem supostas ordens para que mulheres tirassem a roupa no gabinete — ainda dependem de apuração e investigação pelas autoridades.
O pastor tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
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