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CEMA pode ter movimentado até US$ 3 milhões; FBI apura se líder agiu sozinho

Documento federal descreve cobrança por “certificação” e venda de itens

Por Izael Nascimento • Publicado em 07/03/2026 às 16h45
Dr. Cesar, CEO da CEMA, posa com alunos recém-formados entregando certificados e distintivos de capelania em cerimônia nos EUA
Dr. Cesar, CEO da CEMA, aparece ao lado de participantes em cerimônia de formatura, com entrega de certificados e distintivos de capelania. (Foto: Reprodução)

BRASIL — A Chaplain Emergency Management Agency (CEMA), organização liderada por Mario Cesar Dos Santos Jr., pode ter movimentado entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões com cursos e “certificações” de capelania que estão sob investigação federal nos Estados Unidos.

A estimativa é baseada no preço citado em documentos do Departamento de Justiça — US$ 400 a US$ 450 por certificação — e em cenários de escala de público que ainda estão em apuração, enquanto o caso segue aberto para novas diligências e possíveis desdobramentos.

O Fuxico Gospel acompanha o caso desde a prisão do CEO, já noticiada em reportagem anterior, e com novas informações sobre como a organização operava a venda de credenciais e itens associados a uma suposta “capelania” com aparência governamental.

O que a investigação federal diz sobre os pagamentos

Segundo documentos do caso citados pelo Departamento de Justiça, Dos Santos organizou “múltiplos cursos” pelo país e ofereceu aos participantes cartões de identificação, distintivos e certificados com selos de órgãos federais.

O DOJ afirma que ele falsamente dizia que a CEMA era uma agência endossada pela FEMA e que usou indevidamente selos da FEMA, do DHS e do FBI.

Na denúncia, investigadores relatam que os treinamentos eram divulgados como “gratuitos para assistir”, mas a CEMA cobrava pela “certificação” e por itens associados, com pagamentos registrados por meios como Zelle.

O documento também registra que, em um dos cursos monitorados, havia cerca de 30 a 45 pessoas.

Como o Fuxico Gospel chegou à faixa de US$ 2 a 3 milhões

O número exato movimentado ainda não foi divulgado oficialmente no processo. Por isso, a conta precisa ser tratada como estimativa — e não como valor fechado.

  • Preço-base documentado: US$ 400 a US$ 450 por certificação/credencial, conforme descrito nos autos. Documento do processo (PDF).
  • Escala em apuração: há especulações e relatos de que a rede teria reunido milhares de alunos/participantes ao longo do tempo, com cursos em diferentes estados, além de venda de itens e cobranças adicionais.
  • Cenário plausível para chegar a milhões: se a organização teve 4 a 5 mil participantes ao longo do tempo e uma parcela relevante (por exemplo, 60% a 70%) comprou certificação e itens, a receita total pode atingir a casa de US$ 2 a 3 milhões, somando certificações e vendas acessórias.

Para deixar a conta transparente: com ticket médio de US$ 425, 3.500 pagantes (em um universo de 5.000 participantes, com 70% de conversão) gerariam cerca de US$ 1,49 milhão só em certificação.

Com a soma de itens (distintivos, roupas, acessórios) e cobranças adicionais descritas na investigação, a faixa pode subir para US$ 2 a 3 milhões dependendo do volume real de vendas e do número de cursos realizados.

Por que o caso ainda pode crescer

O Departamento de Justiça informa que Dos Santos foi indiciado por um grande júri federal e preso, e que a acusação envolve o uso fraudulento de selos do governo em materiais distribuídos a participantes. Fonte oficial (DOJ).

O próprio material oficial descreve que as atividades ocorreram em diferentes locais e envolve produção e distribuição de documentos, distintivos e “ID cards”, o que abre espaço para novas diligências sobre quem ajudou a organizar cursos, vender itens, distribuir credenciais e operar pagamentos.

Na prática, casos desse tipo costumam avançar com a análise de transações e depoimentos de participantes.

Se as autoridades encontrarem atuação coordenada de outras pessoas, novas imputações podem ser avaliadas no andamento do processo — especialmente se surgirem provas de participação consciente na emissão, venda ou uso de materiais com aparência oficial.

O que está confirmado e o que ainda falta confirmar

  • Confirmado: Mario Cesar Dos Santos Jr. foi indiciado e preso; o DOJ afirma que ele usou indevidamente selos de FEMA, DHS e FBI e que a CEMA não tinha autorização nem afiliação com órgãos federais.
  • Confirmado: documentos citam cobrança por certificação e distribuição de IDs, distintivos e certificados em treinamentos.
  • A confirmar/Não divulgado: valor total movimentado, número exato de participantes pagantes, lista completa de cursos e a dimensão final das vendas de itens.

O Fuxico Gospel mantém a cobertura em página especial sobre a CEMA e seguirá atualizando à medida que novos documentos e diligências forem divulgados oficialmente.

Correções: Encontrou um erro? Fale com a redação: contato@ofuxicogospel.com.br.


Tags: CEMA

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