SÃO PAULO (SP) — Um dos nomes mais influentes da nova geração da música gospel tocou em um dos tabus mais antigos do segmento evangélico brasileiro. O cantor e pastor Alessandro Vilas Boas, fundador da Igreja ONE e autor de sucessos como “Quero Conhecer Jesus” e “O Carpinteiro”, utilizou suas redes sociais para responder a uma dúvida recorrente entre seus seguidores: cristão pode ou não ingerir bebida alcoólica?
A resposta do líder de adoração foi direta e rompeu com a visão abstêmia defendida pela maioria das denominações pentecostais clássicas. Ao ser questionado em uma caixa de perguntas no Instagram, Alessandro afirmou que não enxerga a proibição nas Escrituras. “Eu sou da opinião que a bebida alcoólica não é pecado, desde que seja consumida com moderação e ponderação”, declarou.
Para embasar seu posicionamento, o cantor recorreu à interpretação teológica, argumentando sobre a falta de vetos explícitos no texto sagrado quanto ao ato de beber em si, diferenciando-o da embriaguez. “Eu não encontro base bíblica para tratar a bebida alcoólica como pecado. Então, basicamente é isso”, concluiu o pastor, cuja igreja é conhecida por atrair um público jovem e universitário, com uma liturgia focada em paternidade e intimidade, muitas vezes distante dos dogmas de “usos e costumes”.
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A declaração de Vilas Boas coloca luz sobre um abismo geracional e doutrinário dentro do protestantismo no Brasil. Enquanto líderes da “velha guarda”, como o pastor Silas Malafaia (ADVEC) e a liderança da Assembleia de Deus, historicamente condenam o consumo de álcool — muitas vezes associando-o ao “escândalo” ou à porta de entrada para vícios —, pregadores da linha reformada ou do movimento worship tendem a tratar o assunto sob a ótica da liberdade cristã e da responsabilidade individual.
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Outros nomes de peso já navegaram por águas turbulentas ao tocar nesse tema. O pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista de Água Branca, é conhecido por defender que a Bíblia condena a embriaguez, e não o álcool, citando contextos culturais judaicos. Na contramão, líderes populares como Cláudio Duarte costumam aconselhar a abstenção total, não por ser pecado em si, mas pelo princípio de não ser pedra de tropeço para irmãos mais fracos na fé.

A postura de Alessandro reflete uma tendência de desconstrução de regras comportamentais rígidas entre a juventude evangélica, que busca separar o que consideram “religiosidade humana” dos mandamentos divinos. No entanto, a fala gerou debate imediato nos comentários, com seguidores divididos entre o apoio à “liberdade em Cristo” e o temor de que a liberação, vinda de uma referência musical, possa influenciar jovens ao alcoolismo.
A reportagem monitorou as redes sociais do cantor após a publicação, mas até o momento ele não voltou a tocar no assunto ou aprofundar a explicação teológica, mantendo a resposta curta e objetiva como seu posicionamento oficial.
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