Política

“Pastores serão presos?”: Advogado Jeffrey Chiquini dispara alerta sobre nova lei penal

A Câmara dos Deputados aprovou urgência para o PL da Misoginia

Por Caio Rangel • Publicado em 08/07/2026 às 08h58
O advogado Jeffrey Chiquini participa de entrevista em podcast, falando ao microfone durante conversa sobre temas jurídicos.
O advogado Jeffrey Chiquini durante participação em um podcast para comentar temas jurídicos. (Foto: Reprodução)

BRASÍLIA (DF) — A tramitação do projeto de lei que visa enquadrar a misoginia e condutas discriminatórias contra mulheres sob os parâmetros da Lei do Racismo entrou em regime de urgência no plenário da Câmara dos Deputados.

O avanço célere da matéria, que permite a deliberação direta sem a necessidade de pareceres prévios em comissões temáticas, desencadeou uma série de manifestações factuais de juristas, parlamentares e lideranças clericais que questionam o impacto operacional da medida sobre as pregações e sermões em templos católicos e evangélicos.

Alertas Jurídicos de Chiquini e o Conceito de Submissão

O advogado Jeffrey Chiquini — conhecido pela atuação em representações jurídicas de repercussão nacional, como a defesa do ex-assessor Felipe Martins — emitiu um parecer crítico sobre a redação da matéria.

Segundo o jurista, a inclusão de falas direcionadas a mulheres no escopo de crimes inafiançáveis, com penas que podem atingir até 8 anos de reclusão, cria uma margem de interpretação subjetiva que pode penalizar líderes religiosos.

Chiquini argumentou que leituras tradicionais de textos bíblicos que mencionam a submissão no núcleo familiar correm o risco de ser tipificadas como condutas de ódio. “O padre e o pastor que tiver seu sermão interpretado como machismo será preso como racista”, ponderou.

O Caso Frei Gilson e as Denúncias ao Ministério Público

No início do corrente ano de 2026, os desdobramentos práticos dessa discussão ganharam contornos institucionais com os procedimentos envolvendo o Frei Gilson.

O religioso católico passou a ser alvo de representações junto ao Ministério Público sob alegações de machismo e homofobia, após proferir homilias detalhando o papel das cônjuges sob a ótica das escrituras.

O posicionamento do frei atraiu críticas públicas da senadora Soraya Thronicke, que classificou a abordagem como intolerância e misoginia. Em contrapartida, o frei relatou em transmissões digitais que já enfrenta restrições de veiculação em canais televisivos e plataformas de streaming devido ao receio de sanções administrativas e processos judiciais pelas emissoras.

A condução política do projeto na Câmara está sob a coordenação da deputada Tábata Amaral (PSB), apontada como provável relatora do texto.

A parlamentar atua na construção de consensos técnicos para mitigar as resistências da bancada evangélica, que hoje representa um dos blocos mais influentes do Congresso, respaldada pelo avanço demográfico de fiéis que já compõem 26,9% da população civil do país.

Caso o texto sofra modificações de redação pelos deputados, a matéria precisará retornar para validação no Senado Federal antes de seguir para a mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Correções: Encontrou um erro? Fale com a redação: contato@ofuxicogospel.com.br



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