Religião

Pesquisa revela que apoio de cristãos a Trump afasta 48% dos jovens da igreja nos EUA

Levantamento mostra que alinhamento de líderes religiosos a projetos partidários afeta a percepção pública do cristianismo

Por Caio Rangel • Publicado em 27/07/2026 às 09h39
Donald Trump aparece de cabeça baixa enquanto líderes evangélicos impõem as mãos e oram por ele durante encontro na Casa Branca. Título (Nome do arquivo): donald-trump-oracao-lideres-evangelicos
Donald Trump recebe oração de líderes evangélicos durante encontro realizado na Casa Branca. (Foto: Reprodução)

CHICAGO (EUA) — Uma nova pesquisa conduzida pelo Billy Graham Center Research Institute (BGCRI), vinculado ao Wheaton College, revelou que a estreita ligação entre o cristianismo e a política partidária continua influenciando de forma direta a adesão da Geração Z às comunidades locais nos Estados Unidos.

Segundo os dados coletados, 48% dos americanos com idades entre 18 e 28 anos afirmam que o apoio explícito de lideranças e fiéis cristãos ao ex-presidente Donald Trump reduziu a sua vontade de frequentar os templos religiosos.

Divisão de Opiniões e Impacto entre Fiéis Cristãos

O levantamento demonstrou um cenário fortemente dividido entre os jovens do país. Diante da afirmação sobre o impacto do alinhamento a Trump na assiduidade aos cultos, 48% dos entrevistados concordaram com a premissa (sendo 19% concordância total, 14% regular e 15% parcial), enquanto 52% discordaram (21% discordância total, 16% regular e 15% parcial).

Os índices de afastamento mostraram-se sensivelmente mais elevados entre jovens sem religião, simpatizantes do Partido Democrata e pessoas com visões críticas à igreja. Contudo, o fenômeno também atinge o público confessional: 44% dos jovens cristãos em geral — incluindo 42% dos católicos e 30% dos protestantes — declararam que a politização dos altares representa uma barreira para a vida comunitária.

Espiritualidade sem Partidarismo

De acordo com o pesquisador principal do estudo, Rick Richardson, os resultados não apontam uma figura política individual como única responsável pela queda no comparecimento às igrejas, mas evidenciam os riscos da sobreposição entre fé e projetos de poder.

A análise do BGCRI indica que a Geração Z mantém interesse ativo por espiritualidade e temas transcendentes, mas rejeita a fusão da mensagem do Evangelho com disputas partidárias, percebendo essa associação como um elemento que compromete a integridade da igreja.

O estudo do Wheaton College — financiado pela Lilly Endowment e realizado com base em 2.365 entrevistas no painel AmeriSpeak/NORC — reforça o debate global sobre o papel institucional da igreja em sociedades polarizadas. Os dados sinalizam que o testemunho público cristão perde efetividade entre as novas gerações quando a doutrina é instrumentalizada por plataformas políticas.

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