RIO DE JANEIRO (RJ) — O pastor e produtor musical Emerson Pinheiro trouxe ao debate público uma abordagem pouco comum no meio evangélico ao tratar da atuação de músicos cristãos no mercado secular.
Em entrevista no “Starling Cast” que ganhou ampla repercussão nas redes sociais, o líder da Igreja Profetizando as Nações questionou o discurso que associa esse tipo de trabalho profissional a desvio espiritual.
Realidade financeira ignorada
Para Emerson Pinheiro, parte da crítica feita a instrumentistas cristãos desconsidera aspectos básicos da vida prática. Segundo ele, exigir que músicos abandonem contratos fora do ambiente eclesiástico, sem que haja demanda ou remuneração equivalente dentro da igreja, revela um distanciamento da realidade social.
O pastor ressaltou que esses profissionais lidam com responsabilidades concretas, como sustento da família, aluguel e despesas cotidianas, que não podem ser ignoradas em nome de um discurso espiritualizado.
Na avaliação do produtor, a orientação pastoral deveria priorizar princípios éticos e testemunho pessoal, e não o isolamento profissional.
Ele afirmou que falta à igreja um cuidado específico com músicos que vivem dessa atividade, apontando uma lacuna no acompanhamento pastoral voltado a essa classe.
Presença sem assimilação
Casado com a cantora Fernanda Brum, Emerson Pinheiro defendeu que o cristão pode atuar em ambientes considerados difíceis sem perder sua identidade.
Ele citou o próprio exemplo de Jesus, que transitava por contextos complexos sem se corromper, como referência para uma fé madura e consciente.
Segundo o pastor, trabalhar em espaços seculares não significa adotar valores incompatíveis com o Evangelho. Para ele, o desafio está em manter a essência cristã, atuando com integridade e clareza de propósito, sem se confundir com o ambiente profissional em que se está inserido.
Músico como membro, não engrenagem
Outro ponto destacado por Emerson Pinheiro foi a forma como músicos são tratados dentro das igrejas. Ele criticou a lógica que exige excelência técnica, disponibilidade total e comprometimento extremo, mas que raramente enxerga o instrumentista como alguém que também precisa de cuidado, escuta e acompanhamento espiritual.
Na visão do líder da IPN, o músico não deve ser visto apenas como recurso funcional do culto, mas como parte viva do corpo da igreja, com dores, limites e necessidades próprias.
Sua fala ecoa um apelo por mais empatia e maturidade pastoral, especialmente em um cenário onde muitos músicos transitam entre o ministério e o mercado profissional para garantir sua subsistência.
O posicionamento de Emerson Pinheiro reacende uma discussão sensível no evangelicalismo brasileiro: até que ponto a igreja está preparada para lidar, de forma equilibrada, com fé, trabalho e dignidade profissional no campo da música.
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