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Pastor que disse que “pobre é doente” tem empresa cobrada na Justiça em disputa milionária

Pyero Tavolazzi, ligado à Lagoinha Alphaville, administra a ON Global; contas do Nitro10X de 2023 são contestadas em processo que entrou em fase de perícia.

Por Izael Nascimento • Publicado em 14/08/2026 às 15h52
Pastor Pyero Tavolazzi aparece em vídeo, usando terno escuro, durante pronunciamento em ambiente interno
Pastor Pyero Tavolazzi durante pronunciamento em vídeo. (Foto: Reprodução)

O pastor e empresário Pyero Tavolazzi, ligado à Igreja Lagoinha Alphaville, ganhou repercussão em agosto de 2026 após afirmar que “se você é pobre, você é doente” e associar a pobreza a uma condição “espiritual” e “mental”.

Enquanto a declaração circula nas redes, uma empresa administrada por ele enfrenta na Justiça uma disputa sobre as contas de um evento de negócios.

Quem é Pyero e o que foi o Nitro10X

Pyero atua como empresário, mentor e pastor. Nos documentos do processo, aparece como administrador da ON Global Comércio de Variedades Ltda., empresa envolvida na realização do Nitro10X.

O Nitro10X é apresentado publicamente como um evento voltado a empreendedorismo, negócios e desenvolvimento empresarial.

A edição discutida no processo foi realizada em São Paulo. Documentos anexados aos autos registram o período de 10 a 12/11/2023, no Golden Hall, no complexo Sheraton WTC.

Maria Fernanda Barrichello de Lacerda Ltda. prestou serviços à ON Global entre julho e novembro de 2023. Segundo a sentença, ela atuou em pesquisa de mercado, busca por parcerias e estratégias de marketing e divulgação.

O contrato previa R$ 12 mil mensais, já pagos, além de 10% sobre a receita da bilheteria, após custos previstos, e 20% do valor arrecadado com patrocínios.

Disputa começou depois do evento

Após o Nitro10X, a ON Global sustentou que havia apresentado as contas e chegado ao valor de R$ 207.686,86 a pagar, sendo R$ 50 mil à vista e o restante em dez parcelas.

Maria Fernanda negou ter aprovado definitivamente esse cálculo e passou a cobrar documentos sobre receitas, despesas, ingressos e patrocínios.

Em uma notificação anexada aos autos, a autora estimou faturamento de R$ 6,16 milhões e afirmou ter crédito mínimo de R$ 406 mil.

Empresa declarou prejuízo de R$ 1,64 milhão

A ação foi ajuizada em 28/02/2024. Em outubro daquele ano, a Justiça decidiu que a ON Global tinha obrigação de prestar contas de forma mercantil e detalhada. A decisão transitou em julgado em 10/12/2024.

Na segunda fase, a empresa apresentou planilha com R$ 743.113,34 em receita de ingressos e R$ 2.386.238,26 em despesas, apontando prejuízo de R$ 1.643.124,92.

A autora contestou os números e acusou a ON Global de omitir receitas e inflar despesas, chegando a alegar “superfaturamento” em itens da planilha.

Em abril de 2026, a juíza determinou perícia contábil para verificar documentos, possíveis receitas omitidas, despesas impróprias e o resultado financeiro real do Nitro10X.

O processo continua em andamento para definir se as contas apresentadas estão corretas e se existe saldo a pagar.

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