RECIFE (PE) — A cantora e compositora pernambucana Carina Lins, reconhecida no ecossistema cultural do Nordeste como a “princesa do brega” desde sua projeção à frente da banda Carícias no início dos anos 2000, detalhou em entrevista recente ao programa Que Arretado os bastidores de sua trajetória de fé e o processo que a levou de volta à cena secular após um hiato de cerca de 15 anos dedicado exclusivamente ao ministério evangélico.
Conversão, ministério pastoral em São Paulo e o gatilho do retorno
Após converter-se ao protestantismo em 2008, Carina afastou-se dos palcos e mudou-se para São Paulo, onde construiu uma rotina integrada à vida comunitária da igreja.
No ambiente eclesial, alcançou o posto de presbítera, concluiu o curso de formação pastoral e exerceu a coordenação nacional de louvor de sua denominação.
Contudo, a artista relatou que o desejo de reencontrar seu público surgiu a partir de um tributo prestado pela cantora Luísa Ketlen em uma exibição televisiva.
“Aquilo gerou uma coisinha no meu coração. As pessoas começaram a me procurar de novo […] Eu conversei com meu bispo e ele disse: ‘Olha, Deus sabe do seu coração, você sabe da sua essência. Volte se isso lhe faz feliz’. Foi quando foi tipo ‘ou tudo ou nada’. Peguei minhas coisas e fui para Recife”, declarou Carina durante o programa.
Com sua carreira consolidada novamente no circuito de shows do brega pernambucano, Carina Lins relembra com emoção a gravação de seu DVD de regresso, realizado no Clube Ferroviário de Afogados, no Recife.
A cantora destacou o receio inicial de não ser reconhecida após mais de uma década afastada dos holofotes, surpreendendo-se com as filas formadas horas antes da abertura dos portões.
O percurso da artista dialoga com os debates sobre a convivência entre a fé cristã e o exercício da arte secular no Nordeste.
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