Política

68% rejeitam propostas de governo baseadas em crenças religiosas, aponta PoderData

Levantamento do instituto mostra desacordo do eleitorado com o uso da fé na elaboração de propostas

Por Caio Rangel • Publicado em 27/08/2026 às 11h02 • Atualizado em 27/08/2026 às 11h10
Urna eletrônica da Justiça Eleitoral durante votação
Urna eletrônica é utilizada durante o processo de votação no Brasil.

BRASÍLIA (DF) — Levantamento estatístico realizado pelo instituto PoderData em parceria com o Aya Bancah revelou que a maioria dos eleitores brasileiros rejeita a religião como fator determinante para a definição do voto e para a formulação de propostas de governo nas Eleições de 2026.

Segundo os dados coletados entre 23 e 26 de agosto com 2.400 entrevistados em 555 municípios, 63% afirmam que a fé dos candidatos não influencia sua decisão nas urnas, enquanto 31% consideram o tema relevante.

Separação entre fé e políticas públicas

O estudo também consultou o eleitorado sobre a influência das crenças individuais na elaboração de diretrizes governamentais.

Para 68% dos entrevistados, os postulantes a cargos executivos não deveriam pautar suas propostas de gestão em preceitos religiosos. Por outro lado, 24% defenderam que a fé deve direcionar a formulação de políticas públicas no país.

Apesar da tendência geral de secularização do voto, o cruzamento de dados demonstra diferenças acentuadas entre os eleitorados dos principais concorrentes à Presidência da República.

Entre os apoiadores da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), 42% atribuem importância à religião no momento da escolha, ante 53% que discordam.

No segmento que declara voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a relevância do fator religioso cai para 26%, enquanto 69% afirmam que a fé não influencia a opção eleitoral.

Estratégia de mobilização no eleitorado evangélico

Os dados explicam a centralidade do segmento evangélico no planejamento estratégico das campanhas. Com o eleitorado conservador servindo de pilar para a candidatura de Flávio Bolsonaro, a campanha de reeleição de Lula busca atenuar a taxa de desaprovação do governo no nicho — atualmente fixada em 61% — por meio de agendas institucionais com lideranças eclesiais no Palácio do Planalto e eventos com a participação de figuras da cultura gospel, como o pastor e candidato a suplente de senador Kleber Lucas.

A pesquisa PoderData/Aya possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

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