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“Se macumba funcionasse, a Bahia era Dubai”, declara Pablo Marçal em entrevista

Empresário associou adeptos das religiões afro-brasileiras à falta de prosperidade e provocou reações de entidades de direitos humanos

Por Caio Rangel • Publicado em 08/09/2026 às 09h12
Pablo Marçal durante entrevista usando terno escuro e camisa branca
Pablo Marçal durante participação em entrevista. Foto: Reprodução

SÃO PAULO (SP) — O empresário e influenciador digital Pablo Marçal voltou ao centro dos debates após a divulgação de trechos de uma entrevista concedida ao canal BNTV.

Ao ser questionado se temia práticas de “macumbaria”, o empresário emitiu declarações ofensivas direcionadas aos adeptos de religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, além de tecer comentários estigmatizantes sobre o estado da Bahia.

Teor das declarações e sstereótipos regionais

Durante a transmissão, Marçal utilizou termos pejorativos para associar a fé dos praticantes a quadros de insucesso financeiro e ressentimento social.

“Se macumba funcionasse, a Bahia era Dubai”, afirmou o influenciador. Na sequência, prosseguiu com ataques diretos aos fiéis: “Todo macumbeiro é um derrotado na vida. É gente invejosa e que não prospera”, declarou, acusando os praticantes de buscarem auxílio espiritual para prejudicar pessoas bem-sucedidas.

Posteriormente, ao ser confrontado sobre o impacto de suas palavras, Marçal tentou justificar seu posicionamento alegando que sua crítica não visava a fé em si, mas o que denominou como um “perfil” de conduta de indivíduos invejosos. “Eu não tô falando aqui de religião”, argumentou, embora tenha reiterado as frases depreciativas no mesmo bloco de respostas.

As falas de Pablo Marçal geraram imediato repúdio da Federação de Culto Afro-Brasileiro, de movimentos sociais e de parlamentares. Juristas e especialistas em direito constitucional destacam que o ordenamento jurídico brasileiro, respaldado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela Lei nº 14.532/2023, enquadra atitudes de injúria e discriminação religiosa no mesmo patamar de severidade do crime de racismo, inafiançável e imprescritível.

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